Cães selvagens

Ficha técnica


País


Sinopse

Um trio de ex-presidiários recebe a missão de um mafioso para sequestrar o bebê de um rival. O pagamento poderá lhes garantir uma aposentadoria tranquila. Porém, o nervoso e a pouca competência do grupo pode colocar tudo a perder.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

29/03/2017

Edward Bunker é um ex-presidiário que virou escritor e ator. Quentin Tarantino o escalou para ser o Mr. Blue, em Cães de Aluguel, no começo dos anos de 1990. Pouco tempo depois desse, digamos, renascimento, com o nome projetado pela fama do filme, o escritor publicou Cão Come Cão, um romance que homenageia o cinema de Tarantino e serve de base para Cães Selvagens, dirigido pelo roteirista e diretor Paul Shrader, cujos créditos mais famosos ainda continuam sendo os roteiros de Táxi Driver e Touro Indomável, ambos dirigidos por Martin Scorsese.
 
Em se tratando de adaptação, Shrader, trabalhando com um roteiro assinado por  Matthew Wilder, faz justiça à homenagem de Bunker a Tarantino e cria um filme, por assim dizer, tarantinesco. O problema é que essa palavra não é bem um elogio. Cães Selvagens é como um catálogo dos tiques que assombram a obra do diretor de Pulp Fiction, mas que, estranhamente, nas mãos dele funcionam. Aqueles que ousam fazer pastiche – e, sejamos justos, Shrader não é o único, e talvez seja um dos mais talentosos a tentar – raramente (na verdade, praticamente, nunca) acertam.
 
Os protagonistas são três ex-presidiários contratados por um mafioso para sequestrar o bebê de um rival. Dada a origem da trama, espera-se, é claro, muito sangue, cabeças explodindo (sim, há) e violência gratuita. Estilisticamente, o diretor abarrota o filme com mudanças de tons, de cores, de velocidade das imagens. Uma cena é em preto-e-branco, embora não faça sentido ou tenha necessidade desse recurso. Logo depois, outra é iluminada por um neon cafona que já era démodé nos anos de 1980, seguida de algo que parece saído de Assassinos por Natureza, e que deveria ter permanecido mesmo lá nos longínquos anos de 1990.
 
Troy (Nicolas Cage) é o mais centrado do trio. Diesel (Christopher Matthew Cook) é nervoso e imponente por conta de seu tamanho, enquanto Mad Dog (Willem Dafoe) faz justiça ao nome de cachorro louco logo na primeira cena – que não faria a menor falta se caísse fora do filme. E, logo de cara também, Shrader parece querer nos levar para dentro da cabeça desse personagem. Essa é uma viagem sem volta da qual o filme nunca se recupera.
 
O trio, que odeia a cadeia, é claro, também tem medo da vida do lado de fora. A ideia é, basicamente, conseguir um dinheiro para se aposentar e mudar para o Havaí. Sem se aprofundar na psicologia ou na dinâmica pessoal ou social dos protagonistas, o filme os coloca por 93 minutos (parece bem mais) gritando um com o outro, atirando (não necessariamente um contra o outro) e assediando mulheres. Há uma cena, em câmera lenta e granulada, um momento nostálgico no qual os três brincam num quarto de hotel atirando ketchup e mostarda um no outro. O que Shrader ou Wilder queriam dizer com esse interlúdio lúdico se dilui em meio às poças de sangue que encharcam o filme. There are about a thousand online models every day. Girls and boys are ready to show great shows in free sex in cam on the other side of the screen, ready to start chatting, you want to meet a girl from another country, then our service-chat roulette with 1000 girls online has settings to choose the most beautiful partner. Online chat foreign without registration free Europe webcam girls chat the largest online European Dating networks and sites.
 
O resultado é uma confusão sem muita graça, repleta de estilos roubados, que talvez faça um comentário pertinente sobre o mundo cão da contemporaneidade – mas, para ter esse entendimento, é preciso uma dose de boa fé e aceitar o longa como uma comédia. Em 2014, Shrader escreveu um post no Facebook reclamando por não ter obtido o corte final de seu Vingança ao Anoitecer. Ele começava o texto dizendo: “Nós perdemos a batalha [o filme] foi tirado de mim.” Agora, com plenos poderes sobre seu novo trabalho, ele fez o que bem entendeu, e, por mais discutível que seja o resultado, seu senso de não se importar com ninguém exceto seu comprometimento artístico é louvável. 

Alysson Oliveira


Trailer


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