Doentes de amor

Ficha técnica


País


Sinopse

Kumail Nanjiani é um jovem de origem paquistanesa que vive nos EUA e sonha em ser comediante. Ele conhece uma estudante de psicologia e eles se apaixonam. O rapaz, porém, tenta ser fiel às tradições de sua família e só pensa em se casar com uma moça escolhida por seus pais. Um fato inesperado muda tudo.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

27/09/2017

Doentes de amor talvez seja um filme de difícil classificação porque transita entre tantas chaves que não se contenta em ficar apenas com um rótulo. É uma comédia, puramente cômica, mas também romântica, é um drama, melancólico, emocionante, e também romântico, e é, além de tudo, uma investigação sobre aculturamento e identidade no século XXI, quando a globalização está no limite. É tudo isso e mais um pouco porque é extremamente sensível com seus personagens e suas dores e alegrias.
 
Talvez não seja surpresa que a trama seja baseada na vida do casal de roteiristas: Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani, que também atua como protagonista. Ele é mais conhecido por seu trabalho como coadjuvante na série Sillicon Valley, e se destaca aqui como um jovem de origem paquistanesa que tenta a sorte como comediante, o que frustra seus pais.
 
Nanjiani  é Kumail que, morando nos Estados Unidos e trabalhando como motorista de Uber, tenta encontrar o sucesso fazendo shows de stand-up sem se dar muito bem, até que conhece Emily (Zoe Kazan), uma estudante de psicologia que se comove com o fracasso de suas piadas numa apresentação e tenta ajudá-lo, o que também não surte muito efeito. Mas os dois acabam ficando juntos.
 
São dois mundos e duas culturas que não estão se casando muito bem, o relacionamento está sempre na corda-bamba, especialmente porque a mãe dele (Zenobia Shroff) insiste, a cada jantar em família, apresentar uma noiva em potencial para manter a tradição do clã, que só casa com muçulmanos. Um primo de Kumail se casou com uma irlandesa e foi banido definitivamente da família. Por isso, o protagonista não está animado em apresentar Emily para seus pais e assumir algo mais sério. Quando isso vem à tona, decreta o final do relacionamento deles.
 
Não bastasse o choque cultural no roteiro, algo mais sério acontece. Emily é acometida por uma doença grave e misteriosa, colocada em coma induzido e, quase por acaso, num primeiro momento, Kumail é a pessoa que vai para o hospital e autoriza os procedimentos médicos, até a chegada dos pais dela – interpretados por Holly Hunter e Ray Romano.
 
O filme, dirigido por Michael Showalter, nunca se deixa levar pelo vale de lágrimas que a combinação doença grave e amor pode indicar. Pelo contrário, o roteiro consegue encontrar a graça, de onde vem a esperança de Kumail, na adversidade – sendo capaz de fazer piadas desde Forrest Gump, até ISIS e 11 de setembro, sem nunca se tornar rasteiro.
 
Nanjiani talvez tenha recorrido a alguma memória sua para recontar uma versão de sua história com sua companheira, mas isso pouco importa. Vê-se na tela uma intepretação repleta de nuances e complexidade de um tema tão universal quanto antigo: uma pessoa na bifurcação entre a tradição e a modernidade.

Alysson Oliveira


Trailer


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