A odisseia

Ficha técnica


País


Sinopse

Jacques Cousteau, ao lado de sua mulher e filhos, vive no mar. Quando ele inventa um novo tipo de escafandro, um novo mundo submarino se abre diante de seus olhos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

06/03/2018

A essa altura da história, é pouco provável que qualquer pessoa do mundo ocidental com mais de 20 anos nunca tenha, pelo menos, ouvido falar de Jacques Costeau, mais conhecido como oceanógrafo, mas que também foi documentarista, inventor e oficial da marinha francesa. A Odisséia, dirigido por Jérôme Salle, resgata, de maneira bastante convencional, a jornada dessa figura famosa do século passado.
 
Cousteau é interpretado por Lambert Wilson, que boa parte do filme porta o inconfundível gorro vermelho, marca registrada do protagonista, morto em 1997. O longa acompanha cerca de 30 anos na vida da família Cousteau e começa com o patriarca como um militar naval excêntrico e ambicioso até se tornar um explorador e ecologista de fama mundial.
 
Com roteiro assinado pelo diretor e Laurent Turner – a partir de uma biografia escrita pelo filho de Jacques, Jean-Michel Cousteau e Albert Falco, que trabalhou com Jacques por anos – , o longa tenta criar uma intersecção entre a vida pessoal do explorador e seu trabalho. Não é um esforço muito grande porque, na realidade, as duas coisas já estavam conectadas. O oceanógrafo e documentarista fez várias viagens na companhia de sua mulher, Simone (Audrey Tautou), e algumas com os filhos Philippe e Jean-Michel – interpretados por Ulysse Stein e Rafaël de Ferran, quando crianças; e Pierre Niney e Benjamin Lavernhe, na segunda parte do filme.
 
Turner adota um tom bastante reverente, a ponto de beirar uma hagiografia – há uma única cena sobre as infidelidades de Cousteau, quando ele é confrontado por sua mulher. Os intérpretes são eficientes e Wilson é capaz de transmitir todo o carisma do documentarista. Enfim, na tela é uma figura boa de se ver, mas seus dramas são sempre destituídos de nuances, de profundidade.
 
O filme começa com o acidente de avião que vitimou Philippe, em 1979, uma perda que Jacques jamais conseguiu superar. A relação entre os dois nem sempre foi das mais amigáveis e, nessa época, o rapaz trabalhava como cinegrafista na equipe do pai. A partir disso, o longa volta no tempo e reconstitui toda a trajetória de seu protagonista.
 
Por mais que tenha belas imagens subaquáticas, o filme nunca chega perto de alcançar a pretensão de seu título ostentador. Seguindo a cartilha do gênero de forma pouco criativa, Turner faz um trabalho longo e destituído de entusiasmo. Talvez seja mais vantajoso (re)ver algum documentário do próprio Cousteau – como O mundo silencioso, de 1956, que ele codirigiu com Louis Malle, e com o qual ganhou um Oscar e a Palma de Ouro -, ou A vida marinha com Steve Zissou, uma homenagem bela e divertida ao oceanógrafo que Wes Anderson dirigiu em 2004.

Alysson Oliveira


Trailer


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