Alguém como eu

Ficha técnica


País


Sinopse

Helena é rica e infeliz no Rio de Janeiro. Ao se mudar para Lisboa, conhece um advogado, e os dois se apaixonam. Pouco tempo depois, o romance caiu na rotina, e ela deseja que ele fosse mais parecido com ela.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

03/05/2018

Não poderia haver um filme mais fora de sintonia com o nosso tempo do que o luso-brasileiro Alguém como eu. Nele, sua protagonista, Helena (Paolla Oliveira) se descreve insistentemente como uma mulher rica mas infeliz, que tem tudo na vida, menos o homem dos seus sonhos. Em pleno século XXI, quando essa coisa de toda mulher só ser feliz com um homem para chamar de seu parece ter sido superada no cinema, o longa bate o dedo nessa tecla.
 
Pode até se aceitar essa ideia, para finalidades dramatúrgicas, mas o que não é possível engolir é a discreta homofobia do longa, com o personagem gay-melhor-amigo (Arlindo Lopes), caricato e fútil, que é incapaz de participar de um diálogo sem usar palavra “chiquérrimo” em algum momento. Mas o pior acontece quando comenta-se que ele vai se casar, e uma caixa de super-mercado pergunta se a noiva é brasileira, seus amigos apenas dão um sorriso amarelo constrangidos.
 
Helena é uma brasileira que, cansada de ser sofrer por amor seu país, muda-se para Portugal, onde, pelo menos, poderá sofrer com bom vinho do Porto e bacalhau ao som de um fado. Ela, por acaso, conhece o advogado Alex (Ricardo Pereira), outra pessoa na mesma situação: rica, mas infeliz, em busca de um grande amor. Logo estão namorando, e não muito tempo depois, o romance caiu na rotina, e ela está cansada dele. Um milagre acontece, ele se transforma naquilo que Helena sempre quis: alguém como ela – agora, o personagem é interpretado pela modelo e atriz Dânia Neto.
 
Helena acha que está enlouquecendo porque ela olha para Alex e vê sempre uma mulher, embora sua amiga (Julia Rabello, forçando o humor numa personagem sem graça) e todas as outras pessoas continuem vendo o rapaz como um homem. Dentro do filme, a situação não avança muito. Poderia ser o mote, algo à Se eu fosse você, mas Alguém como eu não sabe muito bem qual caminho seguir, e insiste numa narração incessante e desnecessariamente redundante da protagonista contando tudo aquilo que está se vendo na tela.
 
O filme, roteirizado por três profissionais (as brasileiras Adriana Falcão e Tatiana Maciel, e o português Pedro Varela), começa tirando proveito cômico do choque cultural entre Brasil e Portugal – especialmente com o sotaque e as gírias – mas logo deixa isso de lado para entrar na sub-trama do namorado-que-vira-mulher, que também não rende muito, para depois cair na obviedade mais rasa que pode assolar uma comédia romântica.
 
Dirigido por Leonel Vieira, o filme mais parece uma telenovela sem personagens convincentes, charmosos, ou química entre os protagonistas. Situado numa Lisboa onde não há qualquer tipo de crise financeira e habitada apenas por caucasianos ricos, Alguém como eu é um merchandising indisfarçado da capital portuguesa, já que a Associação Turismo de Lisboa é uma das patrocinadoras do filme. Essas cenas de propaganda invariavelmente trazem alguma paisagem urbana da cidade, com Paolla Oliveira (com ou sem Ricardo Pereira) à frente, enquanto a câmera, num drone, gira em todo dela (ou deles). Possivelmente, esses são os bons momentos do filme por conta da beleza da cidade. 

Alysson Oliveira


Trailer


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