Um ato de esperança

Ficha técnica


País


Sinopse

Fiona Maye é uma dedicada juíza da Vara de Crianças e Adolescentes. Acostumada a casos difíceis, ela tem que decidir se autoriza ou não a transfusão de sangue pedida por um hospital para o jovem Adam Henry, que é Testemunha de Jeová e recusa o procedimento.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

08/03/2019

Emma Thompson é a grande razão para assistir ao drama Um ato de esperança, filme que entra nos bastidores de um tribunal especializado em causas envolvendo crianças e adolescentes. A história baseia-se em livro de 2014 do celebrado autor britânico Ian McEwan, que assina também o roteiro. 
 
Nesta corte, a juíza titular é Fiona Maye (Emma Thompson), uma mulher extremamente dedicada a questões sensíveis, que ela examina com rigor. Ela é casada há muitos anos com o professor universitário Jack (Stanley Tucci) e os dois parecem manter um entendimento afinado. O casal não tem filhos e isto não parece ser um problema. Em compensação, sua ausência de vida sexual, sim. Jack começa a ressentir-se disso.
 
Neste ponto da crise marital, Fiona tem nas mãos um caso particularmente espinhoso – um hospital pediu autorização judicial para submeter a uma transfusão sanguínea um garoto de 17 anos, Adam (Fionn Whitehead), doente de leucemia, que se recusa ao tratamento por ser Testemunha de Jeová. Seus pais (Ben Chaplin e Eileen Walsh), igualmente religiosos, o apoiam na decisão, ainda que isso possa implicar na morte do filho.
 
Habilmente, os dois dilemas vão se entrelaçar na vida de Fiona, tocando questões fundamentais de sua vida e personalidade, girando em torno de sua disponibilidade afetiva. É visível que a juíza lida melhor com tudo dentro do tribunal, onde tem que colocar-se no lugar das crianças cujos interesses representa. Quando se trata de sua vida pessoal, é bem mais difícil abrir-se, saindo de uma zona de conforto e controle, em sua relação com o marido.
 
Para o público brasileiro, ultimamente acostumado a assistir ao desempenho de juízes onipotentes e voluntariosos, é estimulante acompanhar o esforço desta juíza tão investida de espírito público para entender todos os aspectos do diícil caso de Adam. E assim ela toma a atitude inusitada de visitá-lo no hospital para ouvir dele mesmo suas razões para recusar o tratamento, indo ao encontro da morte.
 
Esta conversa no hospital é um ponto de virada para Fiona, já que ali ela está exposta e vulnerável – e Adam mostra ser muito mais do que uma mera vítima indefesa de doutrinação religiosa. A conversa é também uma via de duas mãos porque apresenta o jovem ao mundo laico de Fiona, onde se ancoram a música e a poesia de Yeats, paixões que eles descobrem compartilhar.
 
O encontro no hospital é, assim, o rastilho de pólvora que desmonta a previsibilidade do mundo de ambos, criando possibilidades de mudanças para as quais nem Fiona nem Adam estão devidamente preparados. Aí desenha-se o tipo de universo que tanto interessa a McEwan, o admirável autor de outra história dilacerante adaptada ao cinema, Desejo e Reparação (2007). Em Um ato de esperança, não se atinge a mesma intensidade daquele filme. Nem por isso Emma Thompson fica devendo nada na atuação de seu papel. É realmente extraordinária e sublime, ao lado do promissor jovem Fionn Whitehead. Bom ator, Stanley Tucci tem, a bem da verdade, um papel não suficientemente desenvolvido para poder brilhar mais.

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança