A lenda de Golem

Ficha técnica


País


Sinopse

Uma aldeia de judeus é ameaçada pelos vizinhos que sofrem com uma praga, na Ucrânia do século XVII. Tentando proteger o seu povo, uma mulher cria um pequeno golem que os protegerá, mas a criatura sai de controle.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/06/2019

Que filme poderia ter sido A lenda do Golem se seus diretores, Doron Paz e Yoav Paz, estivessem mais interessados em trabalhar nas imagens e no clima ao invés de se preocupar tanto em jorrar sangue e explodir cabeças ? Poderia ter resultado num terror cerebral, algo mais denso, como A bruxa, por exemplo. Mas o resultado é um terror genérico qualquer sem um traço de personalidade.
 
É um filme frustrante, porque a lenda do Golem (uma espécie de primo da criatura de Frankenstein) tem potencial. Criado a partir de barro e argila, em cuja boca está um papel com o nome de Deus, o que lhe deu vida, aqui, o ser é uma criança evocada por uma mãe, Hanna (Hani Furstenberg), que não consegue lidar com a perda do filho de 7 anos. Além disso, o pequeno Golem (Konstantin Anikienko) ajudará a aldeia ucraniana do século XVII a lidar com os gentios que a ameaçam, por conta de uma peste que assola a região.
 
Hanna é uma mulher destemida. Numa das primeiras cenas, é mostrada escondida, assistindo uma aula sobre a cabala destinada apenas aos homens, como o marido dela, Benjamin (Ishai Golan). Ela desafia as convenções – cabala não é coisa para mulher e é perigosa até para os homens, que dirá para as mulheres – mas o filme não. Assumindo um viés claramente machista, tudo que acontece de ruim é culpa das mulheres – desde a evocação do Golem até quando um líder dos gentios (Aleksey Tritenko) mata judeus da aldeia porque a curandeira (Brynie Furstenberg) local não consegue salvar a vida de sua filha. Caberá aos homens tentar salvar o dia e consertar as bobagens delas – o mesmo quando as personagens femininas fazem algo, só tomam a iniciativa porque um homem mandou.
 
Depois de trazer o jovem Golem à vida, com a intenção de proteger a aldeia, os instintos maternos de Hanna voltam a aflorar e o menino se torna o substituto de seu filho, mesmo sendo a criatura perigosa, com um força descomunal e poder mental destruidor. A protagonista se afeiçoa a ele, apesar de saber do que é capaz. O resultado é previsível, assim como o gancho final para uma sequência (uma cena na qual, novamente, a culpa recai sobre uma personagem feminina). E os efeitos especiais não estão à altura das ambições sangrentas dos diretores, transformando o filme num trash involuntário diversas vezes. 

Alysson Oliveira


Trailer


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