O mistério do gato chinês

Ficha técnica


País


Sinopse

O imperador Xuanzong cai gravemente doente e parece enfeitiçado. Assim, chama-se à corte o monge japonês Kukai, que está na China para estudos. Nada impede a morte do imperador, porém. Kukai e o poeta e escrivão da corte, Bai Letian, vão juntar-se para investigar o mistério, que aponta para uma antiga paixão do imperador, Yang Guifei, e um gato preto mágico.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

10/07/2019

Conhecido internacionalmente por sua premiada obra Adeus, minha concubina - vencedora da Palma de Ouro (dividida com O Piano, de Jane Campion) e do  Bafta em 1993 -, o veterano Chen Kaige esbanja esplendor visual, numa das produções mais caras do cinema chinês, para recriar um drama romântico com um toque sobrenatural, ambientado na era da dinastia Tang, no oitavo século. 
 
Adaptando romance do autor japonês Baku Yumemakura, com a parceria do roteirista Wang Hui-ling (de O Tigre e o Dragão), Kaige prepara uma história cheia de peripécias, traições e viradas de sorte, cujos condutores serão o monge japonês Kukai (Shota Sometani) e o poeta e escrivão da corte, Bai Letian (Huang Xuan). Em viagem à China para estudar escritos budistas, o monge é convocado às pressas ao palácio do imperador Xuangzong (Zhang Luyi), que estaria possuído, com o corpo paralisado e os olhos vidrados. Nas imediações, percebe-se a presença de um misterioso gato preto. E nada consegue impedir a morte do imperador. 
 
Ambos jovens, o monge e o poeta assumem o papel de detetives, lançando-se a uma investigação de fatos misteriosos, remontando a 30 anos antes - quando a a corte vivia seu auge e o imperador só tinha olhos para sua companheira, que não era nobre, a bela Yang Guifei (Sandrine Pinna).
 
Numa história cheia de flashbacks e reviravoltas que apresentam muitos novos personagens, aparece onde foi gasto o grande orçamento desta produção - alegadamente, só para reconstituir o visual da capital imperial do oitavo século, Kaige teria consumido seis anos e cerca de US$ 154 milhões. Há várias sequências de dança e luta, recorrendo-se a diversos efeitos visuais que poderão encantar os fãs de sagas deste tipo. Curiosamente, não funcionam tão bem os efeitos visuais envolvendo o gato preto, que voa, fala, mas se movimenta de maneira um pouco estranha.
 
O interesse da história está também na capacidade de encantamento que esta narrativa, recheada de ilusões, falsas pistas e romances frustrados puder exercer sobre a plateia. Algumas destas pistas estão no grande poema inacabado que está compondo Bai Letian, baseado na trajetória trágica da concubina Yang Guifei. No entanto, o espectador ocidental, menos familiarizado com a história - que tem vários personagens reais, inclusive o monge (cujo nome era Kobo Daishi) e o poeta (Bai Juyi) -, pode sentir-se, às vezes, um tanto perdido no emaranhado dos detalhes. Há, mesmo, uma certa saturação que retira fluência à história, que não repete a mágica nem a intensidade de Adeus, minha concubina. 

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança