Queimada

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Crítica Cineweb

20/02/2002

Nascido em 1919, o italiano Gillo Pontecorvo é o que se pode chamar de um diretor engajado. Se em geral se considera como sua obra-prima A Batalha de Argel (1965), uma das mais contundentes denúncias da violência do colonialismo francês na Argélia, este seu filme não fica atrás na eloqüência da exposição das contradições entre traidores e idealistas.

Em 1845, numa ilha do Caribe que tem o sugestivo nome de Queimada (aludindo a um sangrento episódio de seu passado), desembarca um agente britânico, William Walker (Marlon Brando). Intelectualizado, bem-falante, ele fomenta na população de escravos a idéia da revolução contra os colonizadores portugueses. Encontra até a figura ideal de um líder para moldar, o estivador José Dolores (Evaristo Marquez), a quem incita inclusive a roubar um banco para financiar a rebelião. Um outro rebelde, o funcionário de hotel Teddy Sanchez (Renato Salvatori) será levado a assassinar o governador local, facilitando a tomada do poder pelos revolucionários.

Uma vez no comando, o novo governo descobre os limites de seu poder. O agente Walker era, na verdade, um homem a serviço do Almirantado Britânico e de industriais açucareiros ingleses, que apenas procurava tirar os colonizadores portugueses do caminho. Agora, os empobrecidos novos governantes descobrirão que não têm alternativa senão vender o açúcar, principal produto da ilha, aos ingleses, em condições desvantajosas.

Dez anos depois, Walker e Dolores estarão de novo frente a frente, quando o segundo decide liderar uma nova revolução e o inglês volta para sufocá-la - nem que para isso tenha de queimar novamente toda a ilha e aniquilar a população, como fizeram os portugueses ali, em 1520. Este episódio da queimada referia-se a fatos reais, ocorridos no Caribe, só que cometidos por colonizadores espanhóis.

É um filme forte, impregnado da presença magnética de um Marlon Brando ainda bonito, já na maturidade. Nos bastidores, consta que foram tempestuosas as relações entre o astro e o diretor. Diz a lenda que Brando ameaçou matar Pontecorvo se um dia o reencontrasse, promessa felizmente nunca cumprida.

Cineweb-21/12/2002

Neusa Barbosa


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