Doce entardecer na Toscana

Ficha técnica

  • Nome: Doce entardecer na Toscana
  • Nome Original: Dolce fine Giornata
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Polônia
  • Ano de produção: 2019
  • Gênero: Drama
  • Duração: 92 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Jacek Borcuch
  • Elenco: Krystyna Janda, Kasia Smutniak

País


Sinopse

Maria Linde é uma poetista polonesa radicada há anos em Volterra, na Toscana. Casada com Antonio, ela recebe a visita da filha Anna, e dos netos Elena e Salvatore, em férias. A paz de sua vida é abalada pela atribuição do Prêmio Nobel de Literatura, provocando uma exposição que ela nunca desejou.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

06/03/2020

Maria Linde (Krystyna Janda) é o tipo de mulher que não veio ao mundo preocupada em agradar - ou ser sutil. Judia polonesa, ela vive há décadas na Itália, nas imediações da bucólica Volterra, dedicando-se à poesia e à família. Sexagenária, ela não demonstra nenhuma queda de energia pela distância da juventude. Vive como sempre viveu, com direito a um amor clandestino com um homem mais jovem. 
 
Esse perfil heterodoxo é ocupado com minúcia e verdade pela veterana atriz Krystyna Janda, que atuou em filmes do compatriota Andrzej Wajda (O homem de mármore, O maestro) e do húngaro István Szabó (Mephisto), e venceu, neste novo filme de Jacek Borcuch (Tudo o que amo), o prêmio de melhor atriz no Festival de Sundance.
 
Maria é uma personagem feminina complexa e não só por sua sexualidade livre na idade madura. Recém-vencedora de um Prêmio Nobel de Literatura, ela esnoba pedidos de entrevistas e a natural notoriedade que vem junto. Passa seus dias como sempre, ao lado dos netos em férias, Elena (Mila Borcuch) e Salvatore (Wiktor Benicki), escrevendo e sendo cuidada pelo discreto marido, Antonio (Antonio Catania). Com a filha, Anna (Kasia Smutniak), Maria mantém uma relação mais tensa.
 
Sua paixão por Nazeer (Lorenzo de Moor), imigrante egípcio décadas mais novo, não escapa ao olhar da filha, embora pareça não ser notado pelo marido. Maria vive como se não houvesse amanhã, nem limites, nem amarras morais. E não só neste envolvimento pessoal.
 
Numa Europa sacudida por xenofobia e atentados terroristas, Maria mantém-se fiel a um credo todo seu. Seus caminhos são únicos, suas opiniões, destemidas. Ela não é óbvia, nem previsível, muito menos com as palavras que são seu modo de vida. Nem sempre, no entanto, uma honestidade tão brutal quanto a que ela demonstra num discurso numa homenagem a ela caem tão bem. Seus impulsos vitais, que se manifestam de formas não convencionais, não são assimilados ao seu redor e ela vira alvo das batalhas virtuais de nosso tempo, um território que ela não domina.
 
O roteiro, assinado pelo diretor Borcuch, Marcin Cecko e Szczepan Twardoch, assinala não só a complexidade de sua fascinante protagonista como do contexto da Europa moderna, procurando manter seu pódio de reserva de civilização do mundo ao mesmo tempo que suas instituições desabam pesadamente sob o peso de inconsistências e hipocrisias, que tanto perturbam Maria - e que pode ser vista como uma metáfora de todo este velho continente abalado. 

De várias maneiras, Doce Entardecer na Toscana ergue uma ponte em direção ao filme sueco The Square (2017), de Ruben Ostlund, no sentido de suas discussões da Europa contemporânea e também do espaço da arte diante do assédio das redes virtuais. É um filme adulto e suscetível a várias camadas de interpretação. Inteligência e emoção não lhe faltam. 

Neusa Barbosa


Trailer


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