Alice Guy-Blaché - A história não contada da primeira cineasta do mundo

Ficha técnica

  • Nome: Alice Guy-Blaché - A história não contada da primeira cineasta do mundo
  • Nome Original: Be Natural: The untold story of Alice Guy-Blaché
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 103 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Pamela B. Green
  • Elenco:

País


Sinopse

Documentário resgata a figura da francesa Alice Guy-Blaché, pioneira como diretora, roteirista, produtora, montadora e no uso de cor e sincronia de som nos primórdios do cinema.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

17/06/2020

Considerada a primeira cineasta da história, a francesa Alice Guy-Blaché (1873-1968) obtém um merecido resgate neste documentário, assinado pela produtora norte-americana Pamela B. Green. Com notável afinco, Pamela dedica-se a um trabalho extensivo de investigação, inclusive com diversos deslocamentos geográficos, para reunir informações, evidências, testemunhos e, quando possível, imagens para esclarecer a longa trajetória de Alice, que desenvolveu uma carreira pioneira, tanto como diretora, produtora e técnica em diversas áreas, nos primeiros tempos do cinema, entre a França e os EUA. Mas, por diversas razões, ao longo do tempo, as pegadas desta mulher extraordinária foram perdidas, ficando seu trabalho de fora, até bem pouco tempo, da historiografia oficial do cinema.
 
Uma preciosidade do documentário é contar com duas entrevistas concedidas pela própria Alice, em 1957 e em 1964, em que ela detalha alguns capítulos de sua alentada biografia. Ela nasceu em Paris mas cresceu no Chile, onde sua família francesa mantinha um negócio de livros. De volta à França, muito jovem ela tem que sustentar a mãe, viúva recente, tornando-se secretária no Comptoir Général de Photographie. Deste primeiro emprego e de seu encontro com o pioneiro produtor francês Léon Gaumont, nasce a oportunidade para esta jovem extremamente dinâmica não só aprender tudo sobre os equipamentos vendidos pela empresa como para lançar-se como diretora - como em seu pioneiro trabalho, o curta A Fada do Repolho (1896), um sucesso na época e, por muito tempo, atribuído a outros diretores. 
 
Contemporânea do celebrado compatriota Georges Meliès, e ainda mais ativa do que ele, Alice notabilizou-se por uma percepção precoce das possibilidades ficcionais de uma arte à qual, em suas origens, no final do século 19, poucos davam valor. Além disso, ela tornou-se exímia no domínio pioneiro de técnicas de cor, sincronização de som e montagem, tornando-se chefe de produção dos estúdios Gaumont. 
 
Casando-se com o inglês Herbert Blaché Bolton, que trabalhava na Gaumont, transfere-se com ele para os EUA. Pouco depois, ele deixa a empresa e o casal funda a Solax, um estúdio sediado em Flushing, Nova York, que vai produzir inúmeros filmes e onde Alice continuará a dirigir. Mais tarde, o estúdio amplia suas instalações, agora em Fort Lee, New Jersey. Estima-se que a incansável Alice Guy teria escrito e dirigido centenas de filmes - curtos, como a maioria no período mudo -, muitos deles infelizmente perdidos. Entre os que restaram, espalhados por diversos países e colecionadores, entrevistados elogiam alguns notórios por sua ousadia, como As consequências do feminismo, em que ela ironiza uma troca de papeis entre homens e mulheres, e uma A Paixão de Cristo de grande beleza visual, baseada em ilustrações do artista Tissot, ambos do início do século XX.
 
Separada do marido em 1918, ela volta à França nos anos 1920. Nessa altura, seu nome tinha sido esquecido em seu país natal e ela não consegue emprego na indústria do cinema. Inúmeras dificuldades abalam sua vida, além do fato de que, nesse período, com o cinema já consolidado como grande negócio, as mulheres, pioneiras nas origens da sétima arte em todas as funções, haviam sido alijadas dos sets. Mas o processo de apagamento da trajetória de Alice Guy é ainda mais singular, com seu nome ausente até de um livro que narrava a história dos estúdios Gaumont, em que ela sequer foi mencionada. Ignorada por historiadores, que atribuem seus filmes a outros diretores (como seu assistente, Louis Feuillade), Alice circula pela Europa, morando com a filha, Simone, que trabalha na embaixada norte-americana.
 
Por vários anos, no final de sua vida, Alice luta para ter sua trajetória reconhecida, escrevendo inclusive, sua autobiografia - que não encontra editores senão oito anos após sua morte, quando ela já voltara aos EUA, em New Jersey. Nada mais justo, portanto, do que restabelecer o lugar desta mulher extraordinária na história do cinema.
 
Leia a entrevista da diretora Pamela B. Green

Neusa Barbosa


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