O pássaro pintado

O pássaro pintado

Ficha técnica


País


Sinopse

Após o fim da Segunda Guerra, um garoto judeu vaga pelo Leste Europeu, encontrando o horror e a tortura, sofrendo abusos emocionais e físicos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/07/2020

O maior problema do drama tcheco O Pássaro Pintado não é sua longa duração – embora, a longo prazo também seja -, nem sua proposta de mostrar toda a crueldade imaginável contra um garoto judeu no final da Segunda Guerra Mundial (como bem se sabe, houve abusos contra civis por toda parte). Não, o seu problema é transformar tudo isso numa experiência estética embalada numa belíssima fotografia em preto e branco, com um prazer mesquinho em explorar tortura e os abusos emocionais e sexuais sofridos pelo menino.
 
Misery Porn não é um termo que se usa gratuitamente, mas esse filme é um exemplar perfeito do gênero. Roteirizado e dirigido por Václav Marhoul, o longa tem como ponto de partida o romance controverso do polonês Jerzy Kosinski, publicado em 1965 e alardeado como autobiográfico. Pouco depois, descobriu-se que o livro é um plágio de diversos outros escritores poloneses.
 
O protagonista é um garoto (Petr Kotlár), num país sem nome, no leste europeu, ao fim da Segunda Guerra. Com frieza e distanciamento, o filme acompanha a jornada dele como um parada de maldades e exploração, retratando os horrores de um mundo conturbado. Interessam a Marhoul a pequenez e mesquinhez humanas que emergem em uma sociedade depravada pela disputa armada de poder.
 
Não há um segundo de respiro aqui, é horror após horror de forma intoxicante. O filme incomoda mas não pelos motivos que Marhoul gostaria. Aparentemente, ele mira em algo como Saló ou os 120 dias de Gomorra, de Pasolini, mas o resultado é bem abaixo daquele obtido pelo cineasta italiano. É pura violência gratuita em bela embalagem – com fotografia assinada por Vladimír Smutný, que prima pelo contraste entre o preto e o branco.

Alysson Oliveira


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