Emma

Ficha técnica


País


Sinopse

Emma é rica, jovem e bonita, mas sem muito para ocupar seu tempo. Por isso empenha-se em encontrar maridos e esposas para as pessoas que conhece, sem perceber que suas imposições podem estar causando mais mal do que bem.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

04/08/2020

Emma Woodhouse é uma velha conhecida das comédias românticas, embora nem sempre atenda por esse nome. Mas, no começo do século XIX, a escritora Jane Austen criou uma heroína romântica e cômica tão forte que ela dita o gênero até hoje. As diversas encarnações da jovem no cinema e televisão – as mais conhecidas incluem versões interpretadas por Gwyneth Paltrow nos anos de 1990, Romola Garai, numa série de 2009, e Alicia Silverstone, na bem-sacada reinvenção do clássico, As Patricinhas de Beverlly Hills – não tiram o vigor da garota metida a casamenteira na vizinhança. A nova adaptação, com direção assinada pela fotógrafa Autumn de Wilde e roteiro da escritora neozelandesa Elanor Catton, injeta um frescor na personagem, ao mesmo tempo, mantendo-se bem fiel ao original.
 
Anya Taylor-Joy, mais conhecida como a garotinha de A Bruxa, assume Emma com toda a impertinência e sagacidade essenciais à personagem. Sua interpretação é, ao mesmo tempo, delicada e profunda. É preciso compreender bem essa jovem do século XIX, presa a uma pequena comunidade, mas com grandes ideias para o mundo todo. Promover casamentos é mais do uma atividade, é um projeto de vida, pois acredita que unir as pessoas é seu destino e contribuição. Porém, ela é cheia de julgamentos, especialmente consigo mesma – tem-se na mais alta conta: bonita, inteligente e rica – o que lhe dá plenos poderes para tentar fazer a todas iguais a ela.
 
Os romances de Austen eram sobre heroínas e seus processos de amadurecimento, por isso, ao longo do caminho levam diversos tombos, só para assim aprender. A grande oportunidade para Emma evoluir aparece na figura de Harriet (Mia Goth, também excelente), jovem sem posses que, seguindo os conselhos da protagonista, não aceita o pedido de casamento de um rapaz não muito rico, mas sinceramente apaixonado por ela.
 
Catton e de Wilde capturam algo que é mais do que necessário numa adaptação de Austen: sua ironia. É um olhar que está acima das personagens, e assim é capaz vê-las como são. O filme não poupa Emma de seus erros e consequências. O sr. Knightley (Johnny Flynn, um ator bem mais jovem do que o personagem original) é uma espécie de voz da razão aqui, por isso dá broncas na heroína e a condena por seu comportamento intempestivo.
 
Estão em cena todas e todos personagens que transitam nesse pequeno universo: o pai hipocondríaco (Bill Nighy ), a rival Jane Fairfax (Amber Anderson), as Bates (Miranda Hart e Myra McFadyen), enfim, é um elenco de figuras humanas que proporciona cor e variedade ao filme. Cor, aliás, é uma das preocupações da diretora, que, ao lado do diretor de fotografia Christopher Blauvelt  e do desenhista de produção Kave Quinn, criaram um mundo de tons pastel e colorido vibrante.  
 
O Emma do século XXI é uma das adaptações mais sagazes de Jane Austen -  o desafio era gigante, pois esse é um romance em que pouca coisa empolgante (em termos de cinema) acontece. São pequenos eventos aqui e ali no cotidiano um tanto monótono de uma jovem que, muitas vezes, é irritante. O filme faz do mundo fechado da personagem uma verdadeira galáxia, habitada pelos tipos mais variados (obviamente isso já está no original, mas o aproveitamento cinematográfico corresponde), e também repleta de cores.

Alysson Oliveira


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