Os Mosqueteiros do Rei

Os Mosqueteiros do Rei

Ficha técnica


País


Sinopse

Muitos anos depois de suas aventuras heroicas, os quatro Mosqueteiros estão decadentes. D'Artagnan virou criador de porcos, Portos está depressivo e dependente de remédios, Aramis virou frade para fugir das dívidas de jogo e Athos vive entre bebedeiras. Ainda assim, a rainha Ana mandará buscá-los, pois está correndo perigo com as tramoias de um cardeal.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

25/08/2020

A comédia italiana Os mosqueteiros do rei é o tipo de filme que o público adora e a crítica desce a lenha. Foi isso pelo menos o que aconteceu na Itália, onde boa parte da plateia embarcou de coração aberto nesta sátira ao heroísmo capa-e-espada dos personagens criados por Alexandre Dumas, aqui vistos detonados, na meia-idade e entregues a missões bem menos nobres do que em seu passado glorioso.
 
D’Artagnan (Pierfrancesco Favino), por exemplo, é criador de porcos, hoje mais conhecido por seu cheiro do que por suas passadas aventuras galantes. Fora isso, ele é o típico caipira, atravessando a gramática com a mesma desenvoltura com que brandia uma espada nos bons tempos. Portos (Valerio Mastandrea) é um depressivo, dependente do consumo de poções que ele mesmo mistura. Aramis (Sergio Rubini) foge das dívidas de jogo e da culpa pelas mortes que leva nas costas refugiando-se como frade num mosteiro. Finalmente, Athos (Rocco Papaleo) entrega-se a bebedeiras e orgias, esquecido num castelo.
 
Mas quem nunca os esquece é a rainha Ana (Margherita Buy), que precisa novamente recorrer à fidelidade dos velhos espadachins para encarar as vilanias do astuto cardeal Mazzarino (Alessandro Haber), não podendo para isto contar muito com o próprio filho, o jovem e dissoluto rei Luís XIV (Marco Todisco). A própria rainha, no entanto, tem suas fraquezas, não resistindo a um bom copo de vinho - ou melhor, vários.
 
Não se sabe o que os franceses acharão desta avacalhação de seus mitos literários, mas o fato é que o roteiro de Nicola Baldini e do diretor Giovanni Veronesi não deixa mesmo pedra sobre pedra, apostando no proverbial acúmulo que a comédia pode permitir-se. Por conta da qualidade deste elenco de veteranos, sem dúvida a fórmula funciona em alguns momentos. Pena que, em outros, abuse dos clichês, sobretudo machistas, envolvendo personagens em tese interessantes como a sensual Farnesina (Roberta Procida), a versátil Cicognac (Valeria Solarino) e a enérgica Olimpia (Matilde Gioli), preferindo expor a indiscutível beleza do trio a gastar um pouco mais de inteligência no desenvolvimento das situações que as envolvem.
 
Também passa um pouquinho da conta o humor pastelão envolvendo a suposta invulnerabilidade física do servo mudo do quarteto (Raffaele Vannoli), em situações que se assemelham ao humor sádico de alguns episódios de Os Três Patetas. 

A produção é bem-cuidada e dá até para rir um pouco, sem dúvida. Mas ninguém espere aqui a ressurreição da grande comédia italiana.

Neusa Barbosa


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