Soul

Ficha técnica


País


Sinopse

Joe é um pianista que não conseguiu decolar na carreira e sobrevive como professor de música. Quando sua grande chance numa banda acontece, ele sofre um acidente e fica em coma. Do outro lado da vida, ele tenta voltar à Terra, mas antes precisa ajudar uma jovem alma a descobrir a si mesma.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

28/12/2020

O protagonista de Soul é um pianista de jazz solitário, Joe (dublado por Jamie Fox na versão original), que nunca teve uma grande chance na vida, mesmo sendo talentoso. Seu trabalho é dar aulas para crianças pequenas e sem muita paixão pela música. Até que tudo muda: poderá tocar para uma das cantoras mais famosas da cidade. Mas acontece outra reviravolta, quando ele cai num buraco e fica em coma.
 
Dirigida por Pete Docter e pelo dramaturgo Kemp Powers, a animação da Pixar recicla claramente alguns elementos de sucessos recentes, como o visual de Divertida Mente, do próprio Docter, no além-vida, e a relação entre vida e morte, de Viva – A vida é uma festa. Mas, além disso, é embebido da cultura negra americana dos anos 1970, e da cultura cinematográfica hollywoodiana dos anos de 1980, com seus filmes sobre troca de corpos. Chegando ao outro lado, Joe acaba se envolvendo com uma pequena alma rebelde, 22, que se nega a vir para a Terra, onde deve começar uma nova vida.
 
O conceito criado pelos diretores e Mike Jones, que assinam o roteiro, envolve pequenas almas num campo onde se preparam para vir para o planeta como crianças. Elas recebem sua “fagulha vital”, graças à qual encontrarão sua grande paixão na vida. Almas mais experientes devem ser tutoras das mais jovens, preparando-as. Joe, que estava na fila da morte, consegue escapar e se encontra nesse campo de preparação, onde é tomado por tutor e recebe a missão de cuidar de 22 (Tina Fey), a pequena rebelde malcriada que faz de tudo para não vir para a Terra.
 
Soul busca inspiração nas mais diversas artes para compor seu visual, seja em seu antecessor Divertida Mente – em cujos Sentimentos as alminhas são claramente inspiradas – ou em Picasso, cujas figuras cubistas de várias faces servem de base para a composição dos Conselheiros das Almas (uma delas é dublada por Alice Braga). Das comédias de anos atrás, o longa toma emprestada a ideia de troca de corpos. Joe e 22, acidentalmente, acabam caindo na Terra, e a alma dela se instala no corpo dele, enquanto ele é acomodado num gato terapêutico, que estava em sua cama de hospital.
 
Instalada no corpo de Joe, 22 pode falar com a voz dele, e ninguém percebe o que está acontecendo, embora as pessoas possam desconfiar porque ele fala coisas improváveis. Uma das melhores cenas acontece na barbearia que o músico frequenta, num momento que revive a ideia das black barbershops como um elemento vital para a cultura negra norte-americana. O jazz também é uma das bases do filme, assim como sua essência, a soul music, que serve como um trocadilho para o título do longa. A maior surpresa, e coragem também, no entanto, talvez esteja em sua resolução, capaz de fugir do óbvio e criar um final mais repleto de nuances e sinceridade do que a maioria das animações.
 
Soul venceu dois Oscar e outros dois Globos de Ouro, nas mesmas categorias, melhor animação e melhor trilha sonora.

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança