Unidas pela esperança

Ficha técnica


País


Sinopse

Vivendo numa base militar na Inglaterra, um grupo de esposas de oficiais resolvem promover alguma atividade para distrair-se enquanto os maridos e esposas estão num conflito no Afeganistão. Uma delas sugere um coral e a ideia vai mais longe do que imaginavam.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

12/01/2021

Unidas pela esperança traz uma história previsível, mas é feito com tanto brio e atuado com tanta sagacidade e humanidade que é difícil não se envolver. Baseado numa história real, o filme inglês traz como protagonistas um grupo de esposas de militares enviados para uma missão no Afeganistão. Todas moram na mesma base, e sofrem das mesmas aflições: uma notificação no celular é sempre motivo de sustos e medo – especialmente se for no meio da noite.
 
Quando seus maridos e esposas partem para uma nova missão, sozinhas elas precisam encontrar algo para ocupar a mente, distrair de seus medos. Reunidas, pensam em saídas para passar o tempo, dando apoio umas às outras. A princípio, não é muito simples. O grupo de tricô não funciona, nenhum delas sabe usar linha e agulha. Até que alguém sugere um coral. Ninguém tem formação musical, mas cantar não deve ser tão difícil. Mulher de um coronel, Kate (Kristin Scott Thomas), com perfil de mandona, toma a liderança, e já chega com pérolas no pescoço e partituras nas mãos. E o conflito se estabelece.
 
O que essas mulheres esperam de um coral? Querem criar um grupo afinado para se apresentar, ou apenas matar o tempo, se divertir? Ao contrário de Kate, Lisa (Sharon Horgan) tem outra visão disso. Não quer música clássica ou hinos religiosos, mas sucessos pop. A disputa que se estabelece entre as duas mulheres está mais para uma disputa sobre visão de mundo do que sobre gosto musical.
 
O diretor do filme, Peter Cattaneo, fez sucesso no final dos anos de 1990, com um filme pequeno e independente, a comédia Ou tudo ou nada, que apresentava uma situação similar. Nele, um grupo de homens de meia-idade, fora de forma e desempregados se unia para fazer um show de strip-tease. Ambos os filmes celebram a força do coletivo como uma saída para um momento de crise, com a diferença de que as esposas dos militares estão financeiramente muito bem de vida, então, sua sobrevivência não depende do trabalho com o coral.
 
Unidas pela esperança parte de um acontecimento real que ficou conhecido na Inglaterra no começo da década passada, quando um grupo de mulheres de militares se uniu para criar um coral. O sucesso delas rendeu uma minissérie documental, e corais se espalharam por diversas bases pelo país. O roteiro, assinado por Rachel Tunnard e Rosanne Flynn, cria dramas para a vida de suas personagens além daqueles mais comuns – pelo receio do marido ou esposa morrer em conflito. Kate tem feridas do passado que jamais cicatrizaram; Lisa, uma filha adolescente rebelde (India Ria Amarteifio), com quem tem dificuldades de se conectar; e todas as outras, fora a falta de afinação, suas aflições e alegrias domésticas.
 
O diretor sabe exatamente como mexer com as emoções, cada alavanca é exatamente acionada no momento certo para causar risos ou lágrimas, mas, ainda assim, é dotado de sinceridade em sua empreitada. Os embates entre Horgan e Scott Thomas são memoráveis e impregnados de tintas de humor. Sem a presença delas, seria um filme facilmente descartável.

Alysson Oliveira


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