Colectiv

Colectiv

Ficha técnica

  • Nome: Colectiv
  • Nome Original: Colectiv
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Romênia
  • Ano de produção: 2019
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 109 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Alexander Nanau
  • Elenco:

País


Sinopse

O incêndio, numa boate romena, em 2015, que matou 27 pessoas naquele momento dá a partida a uma série de investigações sobre as condições do local. Nos meses seguintes, repórteres de um jornal esportivo desvendam um escândalo político e sanitário de grandes proporções naquele país.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

10/02/2021

O incêndio de uma boate em Bucareste, em 2015, matando 27 jovens e ferindo outros 108, retratado em Colectiv, imediatamente remete os espectadores brasileiros a outra tragédia, ainda de maiores proporções, ocorrida em 2013, em Santa Maria - a da boate Kiss, onde um acontecimento similar custou a vida de 242 pessoas, ferindo outras 680. Nos dois casos, não havia saídas de emergência.
 
Ao discorrer sobre as inacreditáveis circunstâncias por trás do traumático acontecimento, contando com a colaboração de intrépidos repórteres de um jornal esportivo - o Sports Gazette -, o diretor romeno Alexander Nanau cria um retrato sem retoques de um país cronicamente corrupto, em que estruturas viciadas em hospitais e no Ministério da Saúde produzem negligências, desvios milionários de verbas e uma indiferença chocante com o bem-estar e a vida dos cidadãos. Como diz uma médica no filme: “Nós, médicos, não somos mais humanos”.
 
O desabafo da médica tem um contexto chocante: ela acaba de denunciar, com imagens difíceis de suportar, mas indispensáveis, que sobreviventes do incêndio têm sua higiene a tal ponto descurada, no único hospital especializado no atendimento de queimados, que estão sendo devorados, literalmente, por vermes. Um deles morre no dia seguinte às denúncias, acrescentando mais uma baixa às vítimas da boate.

Um detalhe chocante, no caso romeno, é que, quatro meses após o incêndio, outras 37 pessoas morreram - o que é a ponta de um escândalo monumental, o da contaminação por bactérias hospitalares, no país que tem os piores índices da Europa neste particular, e que está estreitamente ligado a uma criminosa diluição dos desinfetantes usados nos hospitais.

Utilizando como um de seus personagens um dos poucos herois de uma história cheia de bandidos - o repórter Catalin Tolontan e sua equipe do Sports Gazette -, o filme traça uma reflexão admiravelmente consistente sobre o apodrecimento das instituições locais. Soma-se a Tolontan um novo ministro da saúde, Vlad Voiculescu, parte de um governo-tampão, que sucedeu o governo social-democrata no poder por ocasião do incêndio, que renunciou após a imensa repercussão do caso. Vindo de fora do sistema político, ex-ativista dos direitos dos pacientes com formação na Áustria, o jovem ministro esforça-se, por seis meses, por procurar desarmar as sólidas estruturas corrompidas que mantêm o atual estado de coisas. Não dá para esperar milagres, ainda mais porque, na eleição que se aproxima para eleger o novo governo, o ceticismo afasta a imensa maioria dos eleitores das urnas.
 
Colectiv resta, assim, como um doloroso grito de impotência perante a indiferença das instituições diante da dor alheia. Que ele possa, como disse a médica, ao menos contribuir para que nos tornemos de novo humanos e a indignação possa produzir mudanças.

Neusa Barbosa


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