Fé corrompida

Ficha técnica


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Sinopse

Depois de perder o filho na guerra do Iraque, um ex-capelão militar entra em crise e passa a questionar sua relação com Deus e o mundo. Tudo se torna mais complexo quando conhece um jovem ativista ambiental que está disposto a adotar atitudes radicais.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

01/03/2021

Boa parte dos filmes protagonizados por religiosos é sobre como esses personagens lidam com sua crise de fé. Seja enfrentando um demônio que possui uma adolescente ou uma acusação de pedofilia, os religiosos sempre terão sua crença testada. Fé Corrompida – como o título nacional já entrega – é também sobre isso. Escrito e dirigido por Paul Schrader, o longa recebeu uma indicação ao Oscar em 2019, na categoria roteiro original.
 
Obviamente, Fé Corrompida não é Taxi Driver (roteirizado por Schrader) de batina, embora a busca de ambos os personagens por um mundo melhor, a partir de sua própria visão de mundo, seja comum aos dois, assim como a descrença na sociedade. Schrader foi criado como calvinista numa família bastante repressora, e, diz a lenda, só foi ao cinema quando era um jovem adulto.
 
O modo austero como Schrader dirige aqui – distante das estripulias de The Canyons, seu filme de 2013 – remete a Luz de Inverno, de Ingmar Bergman, e Diário de um padre, de Robert Bresson, dois filmes sobre religiosos e suas crises. Mas o roteirista americano coloca uma dose de absurdo em sua trama: o protagonista, Toller (Ethan Hawke), está tão desgostoso com a vida que tornar-se um homem-bomba parece ser a única saída.
 
Toller foi um capelão militar no passado, agora é um reverendo numa pequena comunidade no interior de Nova York,  sofrendo com a culpa de ter incentivado seu filho a alistar-se na guerra do Iraque, em que o rapaz morreu. A mudança ocorre quando conhece Michael (Philip Ettinger), um ativista ambiental, que acredita que a Terra está morrendo, enlouquecendo por isso. Ele não quer colocar mais pessoas no mundo, mas sua mulher Mary (Amanda Seyfried), está grávida, e pede ajuda ao religioso.
 
Na medida em que a narrativa avança, no entanto, Fé Corrompida perde seu tom plácido e se inclina à histeria. Quanto mais se aproxima a comemoração dos 250 anos da sua igreja, mais óbvio fica que Toller e o filme estão em busca de atos desesperados. Assim, Fé Corrompida vai perdendo seu realismo e se torna cada vez mais fantasioso e surreal, com direito a um transe no qual o protagonista flutua e uma viagem a outro planeta. Esse é um filme que pede fé ao seu público, fé na narrativa, no diretor, nos personagens, sem questioná-los, apenas acreditando neles. Para alguns, pode ser pedir demais.

Alysson Oliveira


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