Small Axe: Alex Wheatle

Small Axe: Alex Wheatle

Ficha técnica


País


Sinopse

Alex Wheatle cresceu sob os cuidados e abusos do serviço social britânico, sem nunca se dar conta ou se importar com sua própria identidade. Na medida em que amadurece e toma contato com o mundo, percebe o que significa ser um jovem negro na Londres do começo dos anos de 1980.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/03/2021

A quarta produção da antologia Small Axe, Alex Wheatle, criada e dirigida por Steve McQueen, como outros títulos da série, parte de uma figura real, o escritor britânico que dá nome ao filme. E também como nos demais filmes, está longe de ser uma biografia convencional. O interesse do diretor na série é retratar a experiência dos descendentes dos afroantilhanos na Londres da segunda metade do século XX e,, novamente, aqui parte disso para expandir o escopo da produção, dialogando com o presente.
 
Há algo de dickensiano na trajetória do menino abandonado pela mãe, cujo pai o entregou ao serviço social e que, dessa maneira, cresceu em orfanatos, sofrendo abusos físicos e emocionais. Ao fim dos romances de formação, cuja estrutura o filme toma emprestado, o protagonista se tornou um homem completo. Mais do que isso, aqui Wheatle se torna consciente de sua identidade como um homem negro em Londres. Numa das primeiras cenas, numa barbearia, ele diz: “Posso ser negro, mas sou de Surrey”, diz seriamente, causando risos. Mais tarde, será seu companheiro de cela (Robbie Gee), quando preso ainda jovem, quem plantará a semente da transformação: “Educação é a chave. Se você não conhece o seu passado, então você não conhecerá o seu futuro.”
 
Wheatle é um jovem inocente demais – mais um elemento dickensiano. Apesar dos abusos e sofrimentos, sua trajetória é, mais uma vez, o acúmulo de experiências que lhe permitem tomar contato com o mundo e despertar sua identidade.  Há pequenos elementos que vão trazendo camadas à vida do personagem e apresentando-o a um mundo que ele desconhece, como quando tem contato com o reggae pela primeira vez, na escola. Quando criança, é interpretado por Asad-Shareef Muhammad; e depois, jovem adulto, por Sheyi Cole.
 
O principal cenário do filme é o distrito de Brixton, ao sul de Londres, que no final dos anos de 1970 era o endereço de uma comunidade de afroantilhanos. A jornada de Wheatle é também no sentido de pertencer a esse mundo – seu mundo –, do qual ainda parece tão descolado. Num abrigo para jovens, ele conhece Dennis (Jonathan Jules), de quem se torna amigo. Esse é um dos personagens mais interessantes de toda a série, com um gingado linguístico sedutor do patoá jamaicano. É ele quem ensinará tudo ao protagonista: como se vestir, como conversar, como se comportar como um jovem de sua idade e origem.
 
O tema da série é, acima de tudo, as relações da sociedade inglesa, e, por isso, mais cedo ou mais tarde, um embate é inevitável. Em 1981, Wheatle participa dos confrontos raciais ocorridos em Brixton e acaba preso. É só a partir daí – quando toma contato com aquele colega de cela que fala sobre educação e identidade – que desperta no personagem o senso de pertencimento, o senso de comunidade. É dessa experiência que nasce o Alex Wheatle que se tornou autor de livros infanto-juvenis de sucesso.

Alysson Oliveira


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