Alvorada

Ficha técnica

  • Nome: Alvorada
  • Nome Original: Alvorada
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2021
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 80 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Lo Politi, Anna Muylaert
  • Elenco:

País


Sinopse

Os últimos dias do governo de Dilma Rousseff, em 2016, quando sofria o processo de impeachment, são acompanhados pelas diretoras Anna Muylaert e Lô Politi dentro do Palácio da Alvorada.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/05/2021

Anna Muylaert, uma das diretoras de Alvorada, define o documentário como “um filme experiencial”. E talvez não houvesse melhor palavra para categorizar o longa, que acompanha os últimos dias da presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada, em 2016, enquanto sofria um processo de impeachment. Com direção também de Lô Politi, o filme conta com uma câmera que observa os bastidores do poder, mas mais do que maquinações e discussões políticas, o centro de interesse aqui é o cotidiano. Diferente dos documentários Democracia em Vertigem, de Petra Costa, e O Processo, de Maria Augusta Ramos, que deram ênfase à política, este se concentra na figura da presidente e seu entorno, numa abordagem quase impressionista, que capta aquele momento.
 
Da cozinha aos espelhos d’água que precisam de um novo filtro, colhe-se impressões de acontecimentos, alguns chave, outros aparentemente quase banais, daquilo tudo que envolve governar o país, especialmente num momento marcado por tanta tensão e pressão. Reuniões e mais reuniões, corredores e mais corredores, entre uns e outros, Dilma com seriedade comenta para as diretoras: “Casualmente, eu sou presidente da República, e todo dia eu enfrento problema. E quando eu tiver de enfrentar problema, eu vou enfrentar. Eu sozinha e Deus.”
 
Um dos questionamentos centrais em Alvorada é: o que move a roda da história? Especialmente num momento como aquele de 2016. Dilma ensaia uma resposta, e o filme ilustra: o poder é transitório, é uma questão de negociação. Forças contrárias se debatem num momento em que a presidência está por um fio. Mesmo assim, a certa altura, a presidente diz que não há a menor chance de “fazer esse gesto tresloucado, renunciar.”
 
Em outros momentos, ela resgata sua trajetória até ali. “Sabe onde aprendi tango?”, pergunta a um fotógrafo argentino. “Na cadeia, porque tinha uma professora da USP, que tinha todos os discos do Gardel.” O discurso histórico de defesa feito pela própria Dilma, em agosto de 2016, é acompanhado no filme por televisores e um público de assessores a apoiadores emocionados. Algumas dessas cenas se dão em ambientes melancolicamente vazios – um discurso para o nada.
 
Muylaert e Politi, estreantes na direção de documentários – na ficção, dirigiram longas como Que horas ela volta? e Jonas, respectivamente – fazem desse filme um estudo sobre uma figura humana (em oposição a um estudo de personagem) num momento de grande pressão. Como não poderia deixar de ser, é um filme melancólico, de despedida, um réquiem de um sonho de um país melhor. No prólogo e no capítulo seguinte, todos conhecemos, os sentimentos de tristeza e impotência só se aprofundaram.
 
“Como é que você está sentindo a nossa câmera?”, pergunta uma das diretoras. “Invasiva. Tem hora que é excessiva. Eu não sou um personagem”, responde a presidente. “Você é um personagem”, alega a outra diretora. “Não [...] Eu não sou um personagem o tempo inteiro”, rebate Dilma. “Concordo que tenho de ser humana, porque tem gente que acha que eu não sou”, diz em outra ocasião, a uma jornalista argentina. Alvorada transita nesse eixo da busca da possível existência de uma personagem de si mesma em Dilma Rousseff. Existe? Talvez jamais teremos uma resposta definitiva, mas o longa dá argumentos suficientes para crermos que não. E talvez esse tenha sido seu maior erro estratégico: ter sido autêntica demais, num jogo político que valoriza a encenação.

Alysson Oliveira


Trailer


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