Irma Vep

Irma Vep

Ficha técnica


País


Sinopse

René Vidal é um cineasta excêntrico que pretende refilmar um clássico mudo do cinema francês e escolhe como protagonista uma estrela chinesa. No set, desenrola-se uma guerra de egos, o caos e impossibilidade de fazer um filme.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/05/2021

Irma Vep (não confundir com a famosa personagem de teatro Irma Vap, embora o trocadilho dos nomes seja o mesmo) é uma pequena obra-prima de Olivier Assayas dos anos de 1990, protagonizado pela chinesa Maggie Cheung. Ela se casou com o diretor pouco depois do filme e protagonizou também seu filme Clean, depois do divórcio amigável deles. Numa espécie de homenagem a A noite americana, de François Truffaut, este é quase um experimento pós-modernista sobre a arte de fazer cinema, fazendo cinema.
 
No filme, o diretor-autor Rene Vidal (Jean-Pierre Léaud) tenta refazer uma famosa série francesa muda dos anos de 1910, Les Vampires, assinada por Louis Feuillade. Para o papel de protagonista, ele escala uma estrela do cinema de ação de Hong Kong, Maggie Cheung, que faz uma espécie de versão alternativa de si mesma. Apesar do set confuso, ela se dá bem com todos, mas percebe que o cineasta não é lá muito confiável.
 
Enquanto prova uma roupa justíssima de material sintético, ela se torna amiga da figurinista lésbica do longa e traficante de heroína, Zoe (Nathalie Richard), que acaba se apaixonando pela estrela. Num jantar da equipe, Mireille (Bulle Ogier) tenta unir as duas. No set, as coisas continuam caóticas. O diretor não gosta do que foi filmado e desaparece. Entra em cena um novo cineasta (Lou Castel), que, logo de cara, quer trocar a atriz principal.
 
Assayas, ex-crítico de cinema da Cahiers du Cinéma, também assina o roteiro e, usando da metalinguagem, faz uma brincadeira sobre o cinema, os autores e a arte de fazer cinema. Irma Vep é um filme tão caótico quanto aqueles que os personagens estão rodando, mas a graça reside exatamente nisso, em não se achar sentido no caos. Cheung se torna tão obcecada pela personagem que adota o figurino para si. Rodado em pouco menos de um mês, o longa é cheio de improvisações. A fotografia de Éric Gautier – com quem Assayas trabalharia em diversos filmes – vale-se de formatos e texturas diferentes, trazendo novas camadas ao longa.

Alysson Oliveira


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