Manhãs de Setembro

Manhãs de Setembro

Ficha técnica


País


Sinopse

Cassandra é uma mulher transexual aspirante a cantora, que ganha a vida trabalhando de motogirl. Tudo parece estar se encaminhando, ele acaba de alugar um apartamento, e faz apresentações esporádicas num bar. Porém, tudo muda quando descobre que teve um filho, fruto de uma noite com uma mulher, Leide.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

18/06/2021

Há uma força que pulsa com emoção em Manhãs de Setembro, e atende pelo nome de Liniker. A conceituada cantora brasileira estreia numa obra audiovisual como protagonista da série (antes havia feito apenas pequenas participações) com sagacidade e energia, no papel de Cassandra, uma cantora que, enquanto o sucesso não vem, ganha a vida como motogirl, em São Paulo.
 
Criada por Josefina Trotta – com roteiro assinado por ela, Alice Marcone, Marcelo Montenegro e Carla Meirelles –, a série tem como ponto de partida Vanusa, e também é uma homenagem à cantora, morta em novembro do ano passado, quando a obra ainda estava em produção. Ela serve de modelo e inspiração a Cassandra (Liniker), uma cantora que está começando a encontrar seu lugar na vida, faz shows esporádicos e conseguiu, finalmente, alugar um apartamento para morar sozinha. Enfim, seus sonhos estão caminhando.
 
Até que bate em sua porta Leide (Karine Teles) com um menino pequeno, Gersinho (Gustavo Coelho), que alega ser filho de Cassandra, quando passaram uma noite juntas, antes da transição e a cantora ainda atendia pelo nome de Clóvis. A protagonista é uma personagem sofrida, que criou uma forte camada de autoproteção, que lhe serve no momento desse choque. A primeira reação é a negação, recusando-se inclusive a ajudar o filho que, com a mãe, vive dentro de um carro estacionado debaixo de um viaduto.
 
Dirigida por Luis Pinheiro e Daianara Toffoli, Manhãs de Setembro tem São Paulo como cenário, mas é como se a cidade não existisse. Filmada no Uruguai, por causa da pandemia, a série se passa numa “São Paulo” higienizada – embora tudo tente parecer “enfeiado” para um comercial de televisão. É como se houvesse certo receio de mergulhar na feiura da cidade. O que se vê na tela é uma São Paulo que pode até enganar quem não a conhece, mas para quem vive nela, a cidade não faz sentido – exceto em poucos momentos em que realmente foi filmado aqui. Um exemplo: Leide e Gersinho vivem dentro de um carro, num centro de São Paulo relativamente limpo, e sem moradores de rua. O clima da cidade não faz sentido na tela. 
 
Essa estética do limpinho contamina toda a série. As relações interpessoais parecem higienizadas na mesma medida – muito soa tão artificial quanto a “São Paulo” que serve de cenário à série, que investiga os novos arranjos familiares. Os coadjuvantes – incluindo Paulo Miklos, Gero Camilo, Thomás Aquino e Clodd Dias – são personagens um tanto estereotipados, com ótimas atrizes e atores em busca de mais substância, para papeis que não oferecem muito em troca.
 
Por toda boa vontade e inclusão que existe na série, Manhãs de Setembro merecia ser mais aprofundada no desenvolvimento das personagens e situações. De qualquer forma, Liniker está bem como uma personagem mais densa do que as demais e que demanda uma interpretação precisa – coisa que a cantora/atriz é capaz de fazer com muita competência.

Alysson Oliveira


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