A Alma de um Homem

Ficha técnica


País


Sinopse

Primeiro de uma série de sete filmes produzidos sobre o blues, exibido no Festival de Cannes 2003. resgata as figuras lendárias de três ídolos, os músicos Nehemiah Skip James, Blind Willie Johnson e J.B.Lenoir.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

17/05/2003

Depois do sucesso mundial de Buena Vista Social Club (1999), o diretor alemão Wim Wenders tenta repetir sua perícia no documentário musical, desta vez pilotando A Alma de um Homem, primeiro de uma série de sete filmes produzidos sobre o blues e uma das grandes atrações fora de competição do Festival de Cannes de 2003. Além da produção executiva de ninguém menos do que Martin Scorsese, a série que dá sua largada com o trabalho de Wenders inclui filmes de Clint Eastwood, Mike Figgis (diretor de Despedida em Las Vegas), Charles Burnett, Marc Levin, Richard Pearce e do próprio Scorsese. Quase todos já estão prontos. Só faltam Piano Blues, de Eastwood, e From Mali to Mississippi, de Scorsese, com previsão de serem completados em julho de 2003.

Com grande reverência, mas também muita energia, criatividade visual e ritmo, A Alma de um Homem resgata as figuras lendárias de três ídolos de Wenders, os músicos Nehemiah Skip James, Blind Willie Johnson e J.B.Lenoir. A escolha, segundo o diretor alemão, recaiu em três de seus "heróis pessoais", que tiveram em comum, além de um extraordinário talento, o fato de terem morrido cedo e pobres, deixando poucas gravações, o que dificultou seu reconhecimento, mesmo nos EUA.

Recompor a trajetória dessas três lendas do blues, que morreram há cerca de quarenta anos, ofereceu não poucos desafios. De Blind Willie Johnson, por exemplo, não restou sequer uma única foto. Como o filme se propôs a reencenar cenas da vida dos músicos, esse detalhe adicionou um dilema e uma responsabilidade. "Não tínhamos a menor idéia de como era o rosto dele", admite Wenders.

No caso de James e de Lenoir, restaram algumas imagens - que foram devidamente aproveitadas no saboroso filme do cineasta alemão. Skip James, que fez gravações lendárias nos anos 1930 e desapareceu dos palcos por mais de trinta anos, foi redescoberto e filmado nos anos 1960 - quando participou de festivais em Newport. Farto material com Lenoir foi registrado por um casal sueco radicado nos EUA, Steve e Ronnog Seaberg, realizadores de dois documentários artesanais em 1965 (dois anos antes da morte do bluesman), com a intenção de exibi-los na TV sueca. Os filmes foram recusados alegando-se sua baixa qualidade técnica, permanecendo inéditos até agora, bem a tempo de uma preciosa inserção no filme de Wenders.

Completam A Alma de um Homem imagens reencenadas do passado dos músicos (com Skip James sendo interpretado por Keith B. Brown e Blind Willie por Chris Thomas King, ambos blueseiros), captadas com câmera dos anos 1920 para manter o look nostálgico e com playback dos biografados originais na trilha sonora - um luxo que permite às platéias atuais redescobrirem o brilho de suas interpretações genuínas, que paira acima dos inevitáveis chiados das antigas gravações.

Além disso, a câmera amorosa de Wenders registra a apresentação das composições de Johnson, James e Lenoir na voz dos mais variados e inusitados intérpretes atuais - que passam por Cassandra Wilson, Lou Reed, Nick Cave & Bad Seeds, Lucinda Williams, Shemekia Copeland, Bonnie Raitt, Jon Spencer Blues Explosion Alvin Youngblood Hart, Los Lobos e até o novíssimo cantor pop Beck.

Cineweb-17/5/2003

Neusa Barbosa


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