Swimming Pool - À Beira da Piscina

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Crítica Cineweb

17/05/2003

François Ozon, neste momento é o enfant gaté (garoto mimado) do cinema francês. Ou seja, aquele cineasta que faz o que bem entende e conta com produtores fiéis para realizar tudo o que quer. A empresa que está por trás de todos os seus projetos não poderia, assim, ter outro nome que Fidelité, ou seja, "fidelidade". Seus donos, Olivier Delbosc e Marc Missonier, estão com Ozon desde seu primeiro curta-metragem, Victor, há 10 anos, e são jovens como ele (na faixa dos 35 anos). Além disso, o cineasta recebe convites por todo lado e não há atriz, na França ou fora dela, que não queira trabalhar com ele. Não é à toa que Ozon exibe esse ar autoconfiante de quem está vencendo todas as paradas. Sabe que vive o auge da carreira.

Seu sexto longa-metragem, Swimming Pool (assim com o nome original em inglês mesmo), é um sintoma desse momento de sucesso a quem tudo pode se permitir - até alguma frivolidade. Concorrente à Palma de Ouro em 2003, o filme foi recebido em Cannes com aplausos mas também com alguma reserva da crítica. Trata-se de um divertimento. A história, que coloca no centro de uma trama policial uma escritora de suspense em crise de criatividade (Charlotte Rampling) e a filha mimada de seu editor (Ludivine Sagnier), brinca com a platéia o tempo todo. Para não entregar o jogo, é bom só dar um conselho: que o público, quando assistir ao filme, não acredite em nada, mas nada mesmo, do que vê à primeira vista. E que fique bem atento na sala até o final.

O filme brinca com o olhar, com expectativas, com sensações - ou seja, tudo o que se espera do cinema, ainda mais numa história como essa, que se pretende abertamente uma diversão, embora com algum grau de sofisticação. A produção toda tem uma certa classe, um vago mistério, armando um quebra-cabeças ao falar de um crime mas da criação literária e das ilusões do cinema. Mas é tudo muito ligeiro, nada que mergulhe nas águas profundas de uma Patricia Highsmith, inspiração assumida do diretor para compor a personagem de Charlotte Rampling. No final de contas, é um tanto frívolo e por isso mais perto do risco de descartável do que filmes anteriores de Ozon (como Sob a Areia ou até Oito Mulheres). Ainda assim, mantém sua dignidade e o roteiro é suficientemente esperto para não ofender a inteligência de ninguém.

Na coletiva de imprensa em Cannes/2003, Ozon explicou ter usado o título em inglês para não confundir seu filme com outra famosa produção francesa, La Piscine, de Jacques Deray, que tinha como protagonistas Alain Delon e Romy Schneider. Como o trabalho de Ozon é, também, uma co-produção com a Inglaterra, a manutenção do título em inglês impôs-se naturalmente.

O diretor francês reconhece que se interessa mesmo mais em escrever papéis femininos, o que é certamente um dos motivos pelos quais atrai a atenção de tantas atrizes, lutando para trabalhar consigo (as duas protagonistas deste filme, Charlotte Rampling e Ludivine Sagnier, já haviam, aliás, trabalhado antes com ele, a primeira em Sob a Areia, a segunda em Oito Mulheres). As personagens femininas, para Ozon, "são mais complexas e interessantes". Ele contou também que tinha Charlotte em mente antes mesmo de começar a escrever o roteiro. Quando ela aceitou trabalhar com ele novamente é que ele foi escrever.

Nada patrioteiro neste ponto, o diretor admitiu que se sente mais próximo da tradição inglesa de livros policiais do que da literatura francesa. Acha que seu filme seria totalmente diverso se sua protagonista fosse uma escritora francesa e não inglesa. "Teria menos ação e mais sentimentos", especulou.

Falando no momento de ascensão em sua carreira que vive a esta altura, depois de algum tempo de ostracismo, a sempre bela e classuda Charlotte Rampling comentou que acha que "ganhou em humildade para encontrar sentido no que faz" nos momentos de baixa atividade como atriz de alguns anos atrás. Praticamente redescoberta por Ozon no belo drama Sob a Areia, Charlotte acredita que nos filmes que fez com este diretor está "realmente criando alguma coisa".

Neusa Barbosa


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