O Poderoso Chefão - 50 Anos

O Poderoso Chefão - 50 Anos

Ficha técnica


País


Sinopse

Ao lado de outras quatro famílias, os Corleones dominam a máfia nova- iorquina. O patriarca, Don Vito, crê que está na hora de passar a liderança para o filho caçula, Michael. Este, apesar de relutante, assumirá o posto e adotará uma nova maneira de conduzir os negócios.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

16/02/2022

A história é bem conhecida: um épico sobre uma família poderosa num momento de transformação histórica, quando o patriarca precisa passar o bastão para a nova geração, que irá, entre outras coisas, conduzir o clã rumo à modernidade dos tempos vindouros - e, para isso, fará alianças e readequará a maneira de conduzir os negócios. Tal resumo poderia referir-se tanto a O Leopardo, de Luchino Visconti, quanto a O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, que, se não escancaradamente, ao menos, sem esconder, inspirou-se no clássico italiano de 1964 para sua (primeira) obra-prima sobre a máfia siciliana nos EUA.
 
Copola partiu de um conhecido romance – sem muitas qualidades literárias, mas com potencial cinematográfico – e trabalhou num roteiro com Mario Puzo, autor do livro, transformando uma literatura de entretenimento em grande arte cinematográfica. Ele pega emprestado alguns elementos de O Leopardo, mas, obviamente, constrói seu próprio filme, redefinindo o moribundo gênero de gângsters. Acima de tudo, talvez mais do que a trama da máfia – embora as coisas estejam indissoluvelmente interconectadas – predomina a trama familiar. Não por acaso, a trilogia O Poderoso Chefão começa com um casamento.
 
É em torno dos laços familiares que Coppola e Puzo organizam a narrativa, os negócios, sendo a violência e as mortes consequências da manutenção de laços familiares e de poder e dinheiro. A história, a princípio, pode parecer a de Don Vito Corelone (Marlon Brando) e seu poderio de fazer ou desfazer coisas, comandar e findar vidas e, embora o personagem tenha um papel central (que rendeu um Oscar de ator a Brando), não há dúvida de que seu filho mais novo, Michael (Al Pacino), é tão importante na narrativa quanto ele. O filme é, ao fim, sobre a ascensão desse jovem herói da II Guerra que não queria ter nada a ver com os negócios da família.
 
Mas não por muito tempo. Seu irmão mais velho, Sonny (James Caan), é um estourado, o do meio, Fredo (John Cazale), não tem o pulso firme, nem a sagacidade para controlar os negócios. Dessa forma, Mike é o herdeiro natural para a posição do pai. Com formação universitária, ele é o estranho no ninho, até mesmo quando escolhe uma namorada, Kay Adams (Diane Keaton), que é filha de um pastor batista.
 
Na longa cena do casamento, que domina a primeira hora do filme, Coppola introduz os personagens centrais e já estabelece a posição deles e delas no tabuleiro. Mike chega com seu uniforme da marinha, distinguindo-se e elevando-se, até, em relação aos demais Corleones. Há quase uma devoção em torno dele com respeito e carinho. Ele está um patamar acima dos demais – inclusive do consiglieri Tom Hagen (Robert Duvall), uma espécie de filho adotivo de Don Vito, que Sonny encontrou na rua e trouxe para casa. Michael fica dividido entre duas visões de mundo: a do irmão mais velho, que prega violência e sangue, e a de Hagen, que insiste que a família deve manter seus negócios dentro dos limites e da maneira estabelecida pelas famílias mafiosas.
 
É com essas peças que Coppola e Puzo armam o tabuleiro da disputa do poder numa Nova York comandada por cinco famílias mafiosas. Os antigos Dons fazendo seus negócios da mesma maneira há alguns anos, até a chegada de Mike, que, ao contrário do pai, não está disposto a resolver disputas com diálogos. O ar calmo e sereno esconde a capacidade de resolver as coisas, se necessário, com derramamento de sangue e a expansão dos negócios ultrapassa os limites éticos e morais estabelecidos por seu pai.
 
O movimento de ascensão e domínio dos Corleones é sem volta. O preço que Mike paga para subir ao poder e se manter lá é caro – entre outras coisas, terá dificuldade, como se verá nos outros filmes, de manter o grande amor de sua vida, Kay. O final icônico, num close fechado no rosto dela, pelo ponto de vista do marido, é revelador do destino do casamento mantido debaixo do manto da mentira.
 
O capítulo inicial da trilogia acompanha a ascensão – inicialmente a contragosto, mas, com o tempo, com muito gosto – de Mike ao poder. O sentido de tudo é a manutenção da estrutura familiar e do status quo. Seus métodos são diferentes dos de seu pai, até porque, os tempos são outros, e “as coisas precisam mudar para continuar as mesmas”, para citar uma frase daquele outro filme famoso sobre disputas e manutenção de poder, O Leopardo.

Alysson Oliveira


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