@Arthur Rambo - Ódio nas redes

Ficha técnica


País


Sinopse

Karim D. é um jovem escritor e blogueiro de sucesso. Louvado como a voz da nova geração de filhos e netos de imigrantes depois de publicar um livro de sucesso, ele é adorado pela esquerda e por essa mesma juventude, até que uma série de seus antigos tuítes repletos de racismo, homofobia e misoginia são resgatados e ele vê seu futuro destruído.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

09/05/2022

Em filmes como Entre os muros da escola e A Agenda, o cineasta Laurent Cantet se estabeleceu como um dos investigadores mais interessantes da sociedade francesa contemporânea. Agora ele volta sua câmera para o fenômeno das redes sociais em @Arthur Rambo – Ódio nas Redes, em que parte de um escândalo protagonizado por uma figura real, o jovem blogueiro e jornalista Mehdi Meklat, uma estrela da esquerda da França, adorado por jovens – em especial os filhos de imigrantes e minorias –, que viu sua carreira ruir quando antigos tuítes vieram à tona, trazendo um conteúdo homofóbico, racista e misógino.
 
Cantet parte desse episódio real com uma personagem fictícia, Karim D. (Rabah Nait Oufella, de Entre os muros da escola), uma estrela em ascensão, cultuado tanto pela esquerda, que o vê com uma voz com frescor, quanto por jovens das periferias, que o assumem como um herói e porta-voz de seus anseios e esperanças. Ele escreveu um livro, baseado nas experiências de sua mãe como imigrante do Magreb, que se torna leitura obrigatória para todos. Ele é um enorme sucesso, o que é raridade especialmente para um rapaz com as origens dele.
 
Até que antigas publicações no Twitter, às quais assinava com pseudônimo de Arthur Rambo, são redescobertas. No filme, a cada momento, esses tuítes pululam na tela, com um conteúdo impressionante e assustador. Como uma mente tão progressista como a de Karim pode, no passado, ter sido capaz de escrever isso?, pergunta-se o longa. O personagem dá explicações evasivas, pouco convincentes, não vançando além de alegações do tipo:  “Era apenas uma provocação”.
 
Cantet, que investiga as questões sociais do nosso tempo, não tem receio de fazer perguntas e observações. Trabalhando com um roteiro assinado por ele, Samuel Doux e Fanny Burdino, o cineasta observa as condições históricas em que uma figura como Karim D. pode chegar ao topo. Sua fala (no presente) vai direto ao coração de uma juventude, formada por filhos e netos e imigrantes, negligenciada pela esquerda. Ele sabe como e o que dizer – os partidos institucionalizados parecem ter dificuldades de chegar a essa parcela da população, por isso, inclusive, aponta o filme, podem tornar-se também presas (ou vítimas) fáceis para uma direita extremista.
 
@Arthur Rambo – Ódio nas Redes acompanha 48 horas na vida de seu protagonista no momento da queda, quando suas publicações começam a ser resgatadas. O comentário social contido no filme nunca é moralizante – embora, também não fique em cima do muro. Cantet é, acima de tudo, um observador curioso de dinâmicas sociais a partir de laços pessoais, seja nas amizades entre os jovens numa escola, em seu filme ganhador da Palma de Ouro, ou aqui.
 
O longa é preciso em seu comentário sobre celebridades na era das redes sociais, e como estas têm um papel preponderante na vida contemporânea, além de que, com sua fugacidade, podem criar e destruir mitos.
 
Clique aqui para ler entrevista com o diretor

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança