A jangada de Welles

Ficha técnica

  • Nome: A jangada de Welles
  • Nome Original: A jangada de Welles
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2019
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 75 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Firmino Holanda, Petrus Cariry
  • Elenco:

País


Sinopse

Em 1943, atendendo a uma encomenda do governo norte-americano, o cineasta Orson Welles veio ao Brasil para filmar "It's All True", que teria dois de seus três episódios filmados no país. O documentário de Petrus Cariry e Firmino Holanda resgata as histórias e lendas em torno deste projeto inacabado.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/06/2022

Separar lenda e verdade da vida e da obra de Orson Welles sempre foi tarefa das mais difíceis - as fronteiras entre uma coisa e outra ele, artista consumado na arte de ficcionar, sempre se esforçou para apagar. Ciente disso, o documentário A jangada de Welles, de Petrus Cariry e Firmino Holanda, se apropria das múltiplas versões em torno da tentativa do realizador de Cidadão Kane de fazer um filme no Brasil em 1943, com apetite e desejo de encontrar um território em que toda ficção e alguma verdade possam enraizar-se.
 
Cariry e Holanda procuram menos entrar nas razões de Welles para  filmar It’s All True em plena II Guerra, um projeto político de encomenda do governo norte-americano, do que captar as influências que esta passagem meteórica produziu em algumas vidas e lugares, notadamente no Ceará, terra dos diretores do documentário atual. Somam-se, assim, as memórias, não raro vagas, de alguns dos participantes ou testemunhas involuntárias das filmagens, na praia de Iracema e no bairro do Mucuripe, recorrendo-se também a farto material de arquivo que contextualiza algumas importantes questões de época - como o fato de Welles ter incorporado ao seu projeto a luta dos jangadeiros cearenses para ter reconhecidos direitos trabalhistas, tema de que o diretor norte-americano havia tomado conhecimento por noticiários.
 
O documentário detalha também os incidentes e tragédias que acabaram tragando o projeto, o maior deles a morte do líder jangadeiro “Jacaré”, cujo filho, José Castro, é um dos entrevistados. A mudança de comando no estúdio produtor, RKO, a demissão de Welles, sua insistência em tentar concluir as filmagens com os poucos recursos que lhe restavam, tudo isso entra no tecido da história, de maneira a polir ainda mais a mística do filme inacabado - que acabou sendo montado tardiamente e incluído num documentário de 1993, It’s All True (É Tudo Verdade), dirigido por Bill Krohn e Myron Meisel, além de inspirar obras ficcionais, como Nem Tudo é Verdade (1986), de Rogério Sganzerla, um dos diretores mais fascinados sobre o tema e cujos trechos são incluídos no longa de Cariry e Holanda.
 
Uma das decisões mais felizes aqui é incluir a mudança do cenário do Mucuripe, de praia de pesca artesanal a espaço privilegiado do turismo e da especulação imobiliária, expulsando os antigos moradores, personagens do filme de Welles. Nada mais eloquente sobre a repetição da História.  

Neusa Barbosa


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