Secretária

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Crítica Cineweb

27/08/2003

Vencedor do prêmio especial do júri no Festival de Sundance/2002, este é um romance original e mal-comportado. Talvez só o excêntrico par formado por Adam Sandler e Emily Watson em Embriagado de Amor seja páreo para o casal romântico aqui. Mas esta dupla vai mais fundo.

Ele é o advogado E. Edward Grey (James Spader), que tem um problema tão crônico com a troca de secretárias que já construiu na porta do escritório um sinal fixo de "Procura-se secretária" - que ele se limita a acender ou apagar, conforme a necessidade. A placa remete imediatamente à lembrança do luminoso do "Bates Motel" do Psicose de Alfred Hitchcock. Um alerta de que se está entrando no terreno da perversão ao atravessar a entrada.

Pouco antes, já se havia apresentado a nova candidata a secretária do senhor Grey, Lee Holloway (Maggie Gyllenhaal), que está longe de representar um protótipo de normalidade. Recém-saída de um hospital psiquiátrico, ela tem o vício da auto-mutilação - um detalhe que uma interpretação menos sensível do que a desta brava jovem atriz teria tornado francamente patético. Mas Maggie é uma intérprete sutil demais para deixar isso acontecer. Em sua pele, a personagem transpira uma dor que é completamente humana. É difícil não se solidarizar com ela.

A gaveta cheia de marcadores vermelhos do sr. Grey dá a pista de uma obsessão que se procura esconder. Com eles, o advogado marca os erros de datilografia - recusa-se a permitir o computador no seu escritório, porque isso tiraria toda a graça de seu estranho relacionamento com as secretárias. E reage com violência crescente a cada troca de letras nas cartas entregues por Lee. A situação desata a verdadeira natureza da relação entre os dois, permitindo que se estabeleça a bizarra complementação entre estes dois seres lesados, mas capazes de afeto em circunstâncias exóticas - do ponto de vista do resto dos comuns mortais, pelo menos.

Baseado num conto de Mary Gaitskill, adaptado pela dramaturga Erin Cressida Wilson - premiada com o Independent Spirit Awards em 2003 -, o filme encontra seu equíbrio entre o humor negro e o respeito por esses personagens fora do comum, mas que a interpretação precisa dos dois protagonistas mantém dentro de uma textura humana. Senão, criaria um catálogo de bizarrices e nunca é isso o que pretende.

Neusa Barbosa


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