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Itaú Cultural Play traz retrospectivas gratuitas da obras de Hector Babenco e Paula Gaitán

Publicado em 16/12/21 às 17h45

 
 
A partir de amanhã (14) estarão disponíveis na plataforma Itaú Cultural Play duas mostras com obras do argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco e de Pauta Gaitán. Os filmes podem ser acessados gratuitamente no endereço www.itauculturalplay.com.br
 
De filmografia de Babenco, a mostra trará: Lúcio Flávio o passageiro da agonia (1977); Pixote: a lei do mais fraco (1980); O beijo da mulher aranha (1985, na imagem acima); ; Brincando nos campos do Senhor (1991); e Carandiru (2003). Da obra de Gaitán estarão disponíveis: Uaka (1988)Diário de Sintra (2007); e Noite (2015).
 
Além das mostras, no mesmo dia, estarão disponíveis os últimos episódio da série Gemini 8, um projeto da produtora Pinguim Content, idealizado com a Editora Abril e o canal Disney Channel. Dos mesmos criadores do programa de sucesso Peixonauta, os diretores de cinema Célia Catunda e Kiko Mistrorigo, esta série de desenhos mostra as aventuras de um garoto da Terra que está em um planeta distante. Entre humor, ação e ficção científica, os 14 episódios disponíveis dessa produção tratam das relações de amizade, da superação dos medos, da necessidade de estudar e ser engenhoso e, principalmente, de trabalhar em equipe para superar desafios.
 
Mais informações abaixo:
Mostra Hector Babenco
Argentino naturalizado brasileiro, Hector Babenco é autor de filmografia reconhecida como consistente, em um percurso trilhado entre a dureza do real e o lirismo da poesia, optando por um caminho duplo que alia o contato com o grande público e a crítica social. As obras do diretor projetaram a produção brasileira para o exterior por meio de prêmios e reconhecimento crítico, incluindo indicações ao Oscar.
 
Foi assim em O beijo da mulher aranha, filme indicado em 1986 à categoria de melhor direção nesta premiação internacional. O elenco é um dos grandes destaques deste drama que rendeu ao americano William Hurt o Oscar de melhor ator. Na época, a crítica destacou que a doçura de seu personagem contrasta com a brutalidade do sistema penal e as torturas exercidas pela ditadura.
 
Rodado em São Paulo, mas falado em inglês e legendado em português, o filme mostra a história de um homem homossexual, detido sob acusação de corromper menores. Da cadeia, ele passa o tempo a narrar cenas de filmes a seu companheiro de cela, um jornalista e preso político. Ficção e realidade se mesclam e a convivência forçada entre os dois se transforma em uma amizade arriscada e cheia de surpresas.
 
Outro clássico do cinema brasileiro, assinado por Babenco e presente nesta mostra, o longa-metragem Pixote: a lei do mais fraco é baseado no romance do escritor maranhense José Louzeiro e é capaz de chocar pela dureza das cenas e pela poesia presente na história. Revoltados com os abusos e injustiças que sofrem em uma instituição para menores infratores, quatro jovens resolvem fugir e voltar às ruas, onde se aventuram ainda mais no mundo do crime. Indicado ao prêmio Globo de Ouro, o filme reuniu no elenco jovens moradores de comunidades paulistanas, garantindo autenticidade à atuação. Ausência de oportunidade e afeto familiar são os motores desta narrativa.
 
Outra obra prima do cineasta, Lúcio Flávio, O passageiro da agonia levou mais de cinco milhões de espectadores às salas de cinema. O filme denuncia a atuação de um grupo de policiais envolvidos com o crime, por meio da história do assaltante de bancos Lúcio Flávio, famoso na década de 1970 por suas fugas mirabolantes. Entre roubos, estelionatos, escapes e prisões, o personagem tem seu destino selado a facadas, não sem antes divulgar à imprensa um imenso esquema de corrupção policial.
 
A floresta amazônica é mais do que o cenário principal de Brincando nos campos do Senhor, longa-metragem rodado na década de 1990. A beleza da mata brasileira na trama, inclusive, inspirou o diretor canadense James Cameron na construção do premiado filme Avatar.
 
A história se passa quando dois aventureiros americanos sobrevoam a Amazônia e são obrigados a pousar na floresta amazônica após o combustível do avião acabar. Depois de terem seus documentos confiscados por um oficial brasileiro, eles encontram uma solução para se libertarem: bombardear indígenas isolados. Enquanto programam essa ação terrorista, missionários se organizam em uma empreitada catequizadora na região.
 
A mostra dedicada a Babenco é completada com o prestigiado Carandiru, palco de um dos mais terríveis massacres humanitários da história do Brasil. Baseado no livro Estação Carandiru, de Drauzio Varella, o filme mostra o dia a dia e as experiências de um médico sanitarista no maior presídio da América Latina. Amor, humor e amizade se somam em uma tocante história da vida dentro do cárcere.
 
 
Com um elenco de estrelas do cinema brasileiro, um currículo de mais de 20 premiações e a indicação à Palma de Ouro no Festival de Cannes, o filme alia doses de realidade à ficção. Seu roteiro valoriza as narrativas compartilhadas pelo médico a partir das confidências dos detentos.
 
 
Mostra Paula Gaitán
Viúva do diretor Glauber Rocha, Paula Gaitán encontrou no cinema uma forma de expressar seu olhar sobre as artes visuais, fotografia e literatura. A variedade de formatos, temas e estilos nos quais mergulha é evidente, mas o fio condutor é a intimidade que ela desenvolve com o material no qual trabalha. Os filmes selecionados pela Itaú Cultural Play são um recorte representativo desta expressão poética e pessoal.
 
Primeiro longa-metragem da cineasta, Uaka é um ensaio poético que entra na intimidade da comunidade da aldeia kamaiurá, mostrando desde detalhes do cotidiano até a plasticidade de indumentárias e de corpos em rituais.  Ao mesmo tempo, utiliza-se de intervenções sonoras e da montagem para evidenciar choques entre culturas, declarando desta forma que a obra é um registro do seu olhar estrangeiro.
 
O documentário ressalta ainda que, no Xingu, todos os anos se celebra na aldeia kamaiurá o Quarup, grande acontecimento festivo no qual os homens roubam o fogo divino, espalhando-o pela terra. Nove povos participam do ritual ao som das flautas uruá, com a participação dos pajes Tacumã, Sapaim e Prepori, entre outros.
 
Na produção Diário de Sintra, exibido em mais de 15 festivais no Brasil e no mundo, Paula refaz os últimos passos de Glauber Rocha em seu exílio voluntário em Sintra, Portugal, pouco antes de sua morte. Por meio de cartas, fotos, objetos de acervo pessoal e depoimentos de amigos, a cineasta revisita a época em que viveu com ele e os filhos Ava e Eryk Rocha.
 
Para concluir a seleção desta mostra, Noite é um documentário em que a cineasta dirigiu, filmou e editou o próprio filme. Em um olhar sobre o corpo feminino, liberdade e a vida noturna, ela acompanha uma mulher em meio à noite carioca, com o objetivo de desenvolver um ensaio experimental sobre sons, texturas, sensações, tendo a noite como principal personagem.

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