É incrível a capacidade que Hollywood tem de reciclar seus próprios filmes. A cada nova geração é feito um punhado de remakes, apenas atualizando a história e os personagens. É não é que às vezes essa estratégia até funciona? Como é o caso deste Sexta-Feira Muito Louca, refilmagem de Se Eu Fosse Minha Mãe, de 1976, estrelado por Barbara Harris e Jodie Foster. Tess (Jamie Lee Curtis) e sua filha Anna (Linday Lohan, do remake de Operação Cupido) vivem em pé de guerra. A menina é uma roqueira rebelde, que critica a mãe por ser workaholic e dar pouca atenção aos filhos. Por um passe de mágica, as duas acabam trocando de corpo.Para a mãe, a vida escolar, que inclui testes, amigas e namoros, parece ser fácil demais. Porém, ela está a um passo de descobrir como o colegial pode ser um mundo- cão. Enquanto para a filha, o maior problema será driblar o namorado de Tess, que aliás se casa no sábado.Apesar de ser originalmente baseado no livro Freaky Friday, de Mary Rogers - que também serviu de base para o outro filme - essa idéia da troca de corpos é velha no cinema americano. O primeiro filme que brincou com isso foi Vice-Versa, de 1948, que ganhou uma nova versão quarenta anos depois, trazendo Judge Reinhold no papel do pai. Na mesma época, as platéias tiveram de engolir essa idéia outras duas vezes: Tal Pai, Tal Filho (87), com Dudley Moore no papel principal, e Quero Ser Grande (88), com Tom Hanks - neste último, embora ele não trocasse de corpo com ninguém, era um menino que se transformava em homem da noite para o dia, por causa de uma máquina mágica em um parque de diversões. Em breve será também o tema de mais um filme, De Repente 30, estrelado por Jennifer Garner.Como Sexta-Feira Muito Louca é produzida para uma nova geração, os conflitos e as personalidades são bem diferentes. Enquanto no filme original, a mãe era uma simples dona de casa preocupada com tarefas do lar, como o conserto da máquina de lavar e organizar um grande jantar, a mãe do século XXI é uma psiquiatra renomada que acaba de publicar um livro. Mas as situações engraçadas vêm da mesma fonte: o quão pouco uma sabe sobre a vida da outra. O filme mostra o quanto as pessoas podem estar tão fechadas em seus mundos, e que pouco sabem sobre as vidas de seus pais ou filhos.Jamie e Lindsay estão perfeitas em seus papéis, principalmente depois da troca. É impressionante como uma consegue encarnar os trejeitos da outra, como se realmente tivessem trocado de corpos. Jamie foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz na categoria comédia, mas na verdade, a menina consegue roubar muitas de suas cenas. Juntas, as duas têm um timing perfeito para comédia.Sexta-Feira Muito Louca é um daqueles filmes-família, mas com inteligência, charme e sem vulgaridades, uma coisa rara no gênero. Vale a pena ser visto e revisto, mesmo por aqueles que viram a versão anterior, ou todas as outras versões da história.
