19/07/2026
Drama

Bodas de Sangue

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O diretor espanhol Carlos Saura, conhecido por seus filmes de cunho político, na década de 80 formou uma parceria com o bailarino Antonio Gades e juntos fizeram a "trilogia flamenca", começando com Bodas de Sangue, seguido por Carmen (1983) e Amor Bruxo (1986). Os três filmes usam obras famosas, adaptadas para balé, e buscam resgatar a essência da alma espanhola, usando a música e a dança flamencas como instrumento de expressão.

A peça teatral de Federico Garcia Lorca, Bodas de Sangue, estreou em Madri em 1933 e teve uma carreira de sucesso no mundo inteiro. Em 1981, ganhou a versão cinematográfica musicada, com a exuberante coreografia de Gades, e com uma narrativa enxuta da história dos dois amantes separados pelas famílias, com Saura movendo a câmera por espaços exíguos, captando gestos milimétricos, sem nenhum excesso.

Leonardo (Antonio Gades), único personagem com nome, é apaixonado por uma jovem, a Noiva (Cristina Hoyos). Por imposição da família dela, separaram-se e Leonardo casa-se com outra. O filme mostra a história a partir dos preparativos do casamento da Noiva. Leonardo, durante a festa, convence-a a ir embora com ele. O Noivo (Juan Antonio Jimenez) sai em busca dos dois amantes. E a tragédia se instala. Esta versão é uma preciosidade, principalmente as coreografias do sonho, quando os dois amantes se imaginam fazendo amor, e do duelo entre os rivais - a câmera acompanha os movimentos lentos dos bailarinos, e (re)produz com fidelidade a tensão crescente.

A opção de Saura em filmar o "ensaio geral" da companhia de dança, utilizando partes da peça original, torna o filme mais despojado e ágil, produzindo uma verdadeira celebração da música e dança espanholas. Os bailarinos, principalmente Gades e Cristina Hoyos, contam em gestos precisos e viscerais a tragédia que acompanha esta grande paixão, ao som de afiadas guitarras ciganas e vozes dramáticas.
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