Quem mergulhar nas imagens deste filme, sem dúvida terá uma aula magna de flamenco. Aqueles que ainda não sabem podem descobrir as sutis diferenças que separam uma guajira de um fandango, uma patenera de um soleá, uma taranta de uma bulería e assim por diante. O veterano cineasta espanhol Carlos Saura volta ao seu conhecido território da dança flamenca neste filme em que apresenta estilos, grupos e variações sobre o mesmo tema - cujas formas de filmar ele parece estar tentando esgotar nos últimos vinte anos. Saura já retratou a dança típica da Andaluzia em sua famosa trilogia, que compreende o magnífico Bodas de Sangue (1981), Carmen (1984) e Amor Bruxo (1986). Porém, em todos estes três filmes, um fio dramático amarra os números musicais. Aqui, não é o caso. São 98 minutos de coreografias e melodias quase em estado bruto, como um recital, não fossem elas embaladas pela fotografia do premiado italiano Vittorio Storaro e a montagem de Pablo González del Amo. Até por esse formato extremamente fechado, trata-se de um programa indicado para os fãs devotados do ritmo andaluz. Mesmo a outros públicos poderá agradar a inegável beleza das imagens, que privilegiam artistas sem distinção entre jovens e velhos, feios ou bonitos, gordos ou magros, negando-se até a dar precedência aos famosos sobre os anônimos. Poucos rostos conhecidos do grande público brasileiro são vistos aqui. As exceções são o bailarino Joaquín Cortés (de A Flor do Meu Segredo, de Pedro Almodóvar) e o guitarrista Paco de Lucia.
