18/07/2026
Comédia

Valentín

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Considerado o melhor filme do ano em seu país, Valentín é mais uma prova que a Argentina é um dos mais importante pólos de cinema mundial. A competência e bom gosto de suas produções demonstram, que não fica atrás do festejado cinema asiático e é uma excelente alternativa para os decepcionantes blockbusters americanos.

Diretores como Fabián Bielinsky, Juan José Campanella, Marcelo Piñeyro e, recentemente, Lucrecia Martel, atravessaram fronteiras regionais para tornarem-se sinônimos de qualidade. E não é necessário entender de cinema para perceber isso. Comercialmente vendável, tudo que se produz no país é acompanhado de perto por poderosas distribuidoras americanas, como a Miramax e Buena Vista, interessadas na bilheteria e nos prêmios potenciais de cada um de seus filmes.

E Alejandro Agresti é mais um nome a figurar na lista de diretores-sensação do Cone Sul. Premiado no Festival de Mar del Plata por Valentín, é um dos fortes concorrentes para representar seu país no Oscar 2005. Merecido. Desde o final da década de 1970, Agresti vive rodeado de projetos. Depois de mais de 18 filmes nas costas, se prepara agora para filmar Renato's Luck, com Sharon Stone, com estréia prevista para o próximo ano.

Em grande parte de seus projetos, percebe-se a competência do diretor em ser um verdadeiro contador de histórias, tendo o núcleo familiar como pano de fundo. E é isso que o espectador poderá encontrar em Valentín, que tem certo ar autobiográfico. Os conflitos, agruras e felicidades vividas pelo personagem tema, não apenas povoam o cotidiano de inúmeras crianças, mas estão presentes na própria vida de Agresti. Ou pelo menos, daquilo que o diretor deixou escapar em suas entrevistas.

No filme, Valentín, de apenas 8 anos, foi abandonado pela mãe, tem problemas de relacionamento com o pai (vivido pelo próprio diretor) e vive só com a avó, uma senhora triste e saudosista interpretada pela sempre envolvente Carmem Maura. Um cenário comovente e piedoso da destruição do mito familiar, onde quem mais sofre é o inocente.

Tudo é contado através dos olhos de Valentín, que constrói uma história sentimental, repleta de amarguras, mas com toques de humor e uma visão melodramática da vida. Tal como todos os filmes que narram uma temática adulta por meio da visão infantil. São os tiques do gênero.

No entanto, o que chama a atenção no filme é o excelente roteiro e o excepcional trabalho dos atores, principalmente o de Carmem Maura e o do jovem Rodrigo Noya, que usa seu carisma para dar o toque bem-humorado que a trama precisa. Ambos tornam Valentín eficiente, convincente e no ponto exato para ser muito bem-vindo em nossas salas de cinema.
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