19/07/2026
Drama

Jackie Brown

Jackie Brown é uma comissária de bordo de uma linha aérea de segunda. Para aumentar sua renda, ela ajuda um traficante de armas, Ordell. Porém, é pega pela polícia que está na cola dele. Para pagar a fiança, o bandidão manda Max Cherry, um especialista nisso. Logo no primeiro encontro, Cherry se apaixona pela comissária, mas guarda esse sentimento para si. Jackie, por sua vez, está encurralada: de um lado, a polícia quer que ela ajude a pegar Ordell, de outro, sabe que o traficante vai acabar com ela antes mesmo que ela faça qualquer acordo. No Belas Artes à la Carte.

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É uma rara oportunidade poder reavaliar o malrecebido Jackie Brown, de Quentin Tarantino, agora no streaming. Agora, é possível tirar aquela dúvida que persiste na mente de alguns cinéfilos: Tarantino é um grande cineasta ou só mais uma fraude? Nove filmes depois, chegou a hora de tentar esboçar uma conclusão. 

Quando Jackie Brown chegou aos cinemas norte-americanos no Natal de 1997, o filme decepcionou os fãs do cineasta nerd. E muitos de seus seguidores davam quase como morta a carreira do diretor. De outro lado, a maior parte da crítica especializada ficou deslumbrada com o fato de Tarantino ter feito um filme menos sanguinolento, barulhento, verborrágico e imediatista do que seus trabalhos anteriores, Pulp Fiction e Cães de Aluguel. Roger Ebert, um dos críticos mais importantes dos EUA, disse que esse era um filme para ser 'saboreado a cada momento'.

O roteiro é baseado no romance Ponche de Rum, do escritor norte-americano Elmore Leonard, um autor que transformou o romance policial em um verdadeiro estudo sociológico. O cineasta acabou tomando uma licença poética, transformando a personagem-título em uma afro-americana. Isso por conta de uma distração. Conta a lenda que ele não prestou atenção no livro na parte que descrevia a personagem e escreveu o roteiro pensando na atriz afro-americana Pam Grier. Quando se deu conta do erro, já era tarde demais. Grier, por sua vez, uma estrela dos filmes blaxploitation, bem comuns nos anos 1970, estava afastada das telas há alguns anos, e agarrou a oportunidade com unhas e dentes - o resultado é uma performance sublime e cheia de nuances.

Jackie Brown é uma comissária de bordo da pior linha aérea norte-americana. Para aumentar sua renda, ela ajuda um traficante de armas, Ordell (Samuel L. Jackson), porém é pega pela polícia que está na cola dele. Para pagar a fiança, o bandidão manda Max Cherry, um especialista nisso. Logo no primeiro encontro, Cherry se apaixona pela comissária, mas guarda esse sentimento para si. Jackie, por sua vez, está encurralada: de um lado, a polícia quer que ela ajude a pegar Ordell, de outro, sabe que o traficante vai acabar com ela antes que ela faça um acordo com a polícia. Mas há uma chance: Jackie acabar com ele primeiro. Mas essa idéia de matá-lo não a agrada e, além disso, ela tem um plano bem melhor.

Aos poucos, Jackie Brown vai se abrindo em pequenas tramas a serviço de uma história maior. Bem menos verborrágico do que Pulp Fiction, chegando a ser quase contemplativo em alguns momentos, Tarantino usa recursos que foram meros cacoetes no filme anterior - como tela dividida, reprisar a mesma cena com diferentes pontos de vista - desta vez todos a favor de contar uma história.

Os atores são um caso à parte. Tarantino tem um olho clínico para escalar o seu elenco. Se Pam Grier é a Jackie Brown dos sonhos, Samuel L. Jackson não deixou por menos e acabou ganhando um prêmio no Festival de Berlim. Sem deixar de mencionar que Robert De Niro está brilhante no papel de um ex-preso amigo de Ordell. 

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