19/07/2026
Desenho animado

A Era do Gelo

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Finalmente, com perdão do trocadilho, a Fox quebrou o gelo. Depois de duas investidas fracassadas no campo dos desenhos animados - o histórico Anastasia (1997) e o futurista Titan (2000) - o estúdio finalmente chegou a uma combinação quase perfeita, de história, personagens, efeitos e ritmo, e acertou em cheio o coração das platéias. No primeiro final de semana em cartaz nos EUA, o desenho faturou US$ 47,9 milhões, a melhor abertura de um filme no mês de março de todos os tempos. No Brasil, o filme estréia em 250 cópias, só 10% delas legendadas, evidenciando sua intenção de cativar os mais pequenos.

O curioso no sucesso de A Era do Gelo é que, à primeira vista, seu trio de protagonistas não parece o mais atraente do ponto de vista infantil. São um mamute solitário e rabugento, Manny (voz de Diogo Villela), uma preguiça folgadíssima e cheia de papo furado, Sid (voz de Tadeu Mello), e um muito ambivalente tigre-de-bengala, Diego (Marcio Garcia). Acontece que esta turminha improvável é reunida por uma causa das mais delicadas: devolver à sua família humana um bebê extraviado.

Pontuando a epopéia dos três nas paisagens desoladas, cobertas de neves eternas, de 20.000 anos atrás, surge a todo momento um incrível roedor, um ancestral dentuço do esquilo, Scrat. Na insistente tentativa de esconder no gelo a preciosa noz que é sua comida, o pequenino provoca desastres de proporções inimagináveis, dando um contraponto cômico irresistível em suas breves mas decisivas aparições. O momento em que Scrat tenta contar uma história ao mamute por meio da mímica é outro ponto alto.

Algumas seqüências ficam na memória: o delicioso tobogã dos protagonistas numa sinuosa caverna de gelo (que lembra a adrenalina da série Indiana Jones) e, por assim dizer, novas visões de como teriam sido inventados na História o futebol americano (cena hilariante em que Sid rouba um melão), o esqui na neve e o espeto de marshmallow.

O roteiro caminha bem, apoiado numa alternância consistente de momentos dramáticos, ternos e engraçados, permitindo que os adultos também se divirtam muito. A dublagem brasileira é de alta competência e não deve causar arrepios mesmo nos seus mais ferrenhos inimigos. Uma curiosidade é que o filme foi co-dirigido por um brasileiro, Carlos Saldanha, que foi supervisor de animação na produção Joe e as Baratas (1996) e diretor de animação de personagens gerados por computador nos filmes Passe de Mágica (1997) e Clube da Luta (1999). Outro brasileiro, o desenhista Marcelo DeMoura, foi o responsável pelo desenvolvimento das expressões faciais dos protagonistas deste desenho.

A Era do Gelo também é o teste decisivo de sobrevivência para o estúdio de computação gráfica Blue Sky - do qual um dos fundadores foi o diretor deste desenho, Chris Wedge, 44 anos e um Oscar pelo curta de animação Bunny (1998). Recentemente, a Fox comprou o estúdio, que pode tornar-se o ponto de partida para um novo avanço naquele território que antes era dominado sem concorrência pela Disney.

Vozes na versão brasileira: Diogo Villela (Manny), Marcio Garcia (Diego) e Tadeu Mello (Sid).
Vozes na versão americana: Ray Romano (Manny), John Leguizamo (Sid), Denis Leary (Diego), Goran Visnjic (Soto), Jack Black (Zeke), Tara Strong (Roshan), Chris Wedge (Scrat).

Cineweb-22/3/2002

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