20/07/2026
Drama

Jogo de Sedução

post-ex_7
Para um filme que fala supostamente sobre a manipulação e fabricação da realidade, Jogo de Sedução soa frio e previsível demais, e, no final das contas, mais parece um comercial prolongado, uma espécie de exercício narcisista de um jovem diretor egocêntrico, sem muitas idéias na cabeça, mas uma tremenda vontade de "revolucionar". Nem todo mundo é Steven Soderbergh e consegue estrear fazendo um sexo, mentiras e videotape. O diretor e roteirista Matthew Parkhill deixa claro com sua estética ultra-clean, pseudo-sofisticada, que veio de comerciais de televisão, que nem só de imagens sobrevive um filme. É preciso pensar também no roteiro e no elenco.

Carmen (Natalie Verbeke) é uma espanhola radicada em Lodres que ganha a vida dançando flamenco e fazendo bicos como garçonete. Ela está se preparando para casar com o almofadinha inglês Barnaby (James D'Arcy) e superar de vez seu passado conturbado. Mas, em sua despedida de solteira, conhece Kit (Gael García Bernal) que depois de um beijo a faz sair de órbita e questionar seu relacionamento.

No entanto, a moça opta pela segurança à vida mais desregrada ao lado de Kit. Após as bodas, o marido passa a ter um comportamento tão estranho que sempre a joga para os braços do amante. Isso acaba provocando uma reação drástica do marido traído. Mas na melhor tradição dos clichês, o filme parte para um segundo ato calcado em "as aparências enganam", até o final pseudo-intelectual à la Bruxa de Blair.

Parkhill, que além de diretor é roteirista, mostra que não tem o menor tato com os atores. O trio que protagoniza o triângulo amoroso central não tem a menor química. E nenhum dos atores se esforça para fazer o seus personagens, que, aliás, são rasos e mal-escritos e em momento algum parecem reais. Gael García Bernal, que rodou esse filme antes de Diários de Motocicleta, mostra um bom comando da língua, mas pouco lhe resta a fazer, com o que lhe dão no roteiro. Seu personagem, aliás, é um brasileiro nascido no Rio, mas filho de inglês que foi astro de telenovelas brasileiras. Já Natalie Verbeke, de O Outro Lado da Cama e Apaixonados, mais parece perdida em uma cidade e uma vida que não são suas.

Tudo aquilo que soa estranho na primeira parte do filme é explicado após uma bombástica revelação, mas os diálogos soam falsos e rasteiros em tempo integral. Para consolar resta a competente fotografia do brasileiro Affonso Beato (constante colaborador de Almodóvar e fotógrafo do próximo filme de Walter Salles, Dark Waters), que mistura digital com película. Mas isso é muito pouco, para um inútil exercício de estilo que só se propõe a tanto.
post