Ashton Kutcher é um dos jovens reis de Hollywood. Aos 26 anos, é um dos galãs de maior sucesso nas comédias teen - como Cara, Cadê Meu Carro (2000), Recém-Casados (2003) e A Filha do Chefe (2003) - e também no famoso seriado de TV That '70s Show, sempre fazendo o papel de um abobado terminal que, apesar disso, comove o coração das garotinhas. Na vida real não é muito diferente. Afinal, o ex-estudante de engenharia bioquímica da Universidade de Iowa conquistou ninguém menos do que Demi Moore, um dos sex symbols das décadas de 1980 e 1990, em filmes como Ghost, Proposta Indecente e Striptease. Embora ela tenha idade para ser sua mãe (42 anos), Demi continua em ótima forma, como se viu em As Panteras Detonando (2003).
Tanto sucesso comercial transformou Kutcher também em produtor - função em que ele funcionou tanto em A Filha do Chefe quanto em Efeito Borboleta. Mistura de suspense e ficção científica com um tempero de drama e até de comédia aqui e ali, o filme dos diretores-roteiristas Eric Bress e J. Mackye Gruber coloca em ação uma trama fincada no tema da viagem do tempo para consertar os erros do passado.
O herói é Evan (Kutcher), um estudante de psicologia que tem lapsos de memória e um diário cheio de lacunas. Ele foi um menino que causou muita preocupação à mãe (Melora Walters) por seus desenhos sinistros e reações inesperadas - como ser pego com uma faca de cozinha na mão de repente e não saber explicar porquê. Além dessa bagagem emocional complicada, o jovem Evan arranja mais encrencas na adolescência. Ele pertence a uma turma formada pela garota Kayleight (Amy Smart), seu irmão violento Tommy (William Lee Scott) e um gordinho tímido, Lenny (Elden Hensen). Um dia, eles resolvem colocar dinamite numa caixa de correio. Bem na hora da explosão, vai chegar alguém e isso muda a vida de todos para pior.
Anos depois, Evan não tem memória do que realmente aconteceu naquele dia. Mas vai conseguir descobrir, assim como também um jeito de voltar no passado e procurar apagar todos os danos causados. Não é má idéia. O problema é que, neste tipo de fantasia, é preciso controlar as coisas no limite da credibilidade. E isto, francamente, o filme não consegue. São tantas idas e vindas de Evan entre passado e presente, a cada vez piorando alguma coisa que pretendia melhorar, que tudo fica realmente confuso e inacreditável demais. Humor, quando existe, tende mais para o patético.
Nem originalidade os roteiristas podem alegar. Só para ficar num exemplo, o escritor americano Ray Bradbury explorou infinitamente melhor a idéia de que, numa viagem ao passado, pisar numa única borboleta pode mudar o futuro da humanidade - no conto "Um Som de Trovão", parte da coletânea "Contos de Dinossauros" (publicada em 1993 pela Editora Artes e Ofícios). Aqui, nem se consegue fazer um filme muito interessante. Mas os fãs ardorosos de Ashton Kutcher podem até nem reparar muito nisso.
