Comédia romântica irlandesa aborda encontros e desencontros amorosos embalada por uma trilha onde se ouvem quatro músicas do brasileiríssimo Tom Jobim
- Por Neusa Barbosa
- 03/08/2004
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A música de Tom Jobim atravessou o oceano e chegou a Dublin, onde seduziu a diretora Liz Gill a escrever uma comédia romântica que soasse tão leve quanto as melodias da Bossa Nova. É isso o que ela procura fazer neste que é seu segundo filme e o primeiro acumulando as funções de roteirista e diretora.Quatro canções de Jobim - Desafinado, Lamento no Morro, Águas de Março e Amor em Paz- embalam um emaranhado de histórias de amor ambientadas em Dublin mas tão instáveis como em qualquer latitude. O humor dá o tom, mas a trama não se nega também a uma certa seriedade, quando esbarra em temas como aborto, maternidade, abandono, orientação sexual.O ponto de partida é Tom (Sean Campion), um professor universitário de meia-idade que costuma seduzir suas jovens alunas com um livro de poemas de Rilke - sempre o mesmo, aliás. Uma delas é Clara (Fiona O´Shaughnessy) que o abandona furiosa depois de descobrir que ele usou o mesmo esquema com Isolde (Fiona Glascott).Apesar de nunca ter tido nenhum envolvimento homossexual, Clara envolve-se com Angie (Flora Montgomery), uma jornalista de TV. Outro casal gay forma-se entre Red (Keith McEerlean), o melhor amigo de Angie, e David (Peter Gaynor), que acaba deixando sua noiva Rosie (Lise Hearns). Rosie, por sua vez, começa um romance com Larry (Stuart Graham), amigo do professor Tom. Casamento à vista. Haverá um bebê nesta parada mas não exatamente do casal de quem mais se poderia esperar. E Tom, pela primeira vez, vai ficar atraído por uma colega da mesma idade, Renée (Jean Butler) e sentir-se completamente confuso.Não há propriamente uma grande originalidade nas histórias aqui alinhadas. Mas é exatamente o charme do filme que elas sejam tão comuns e tão simples. Os personagens parecem pessoas de carne e osso e transmitem emoções genuínas - o que não é pouca coisa numa época em que o cinema parece ter desaprendido como fazer histórias de amor. Sem grandiloqüência nem pieguice, e com a preciosa ajuda de Jobim, Liz Gill consegue.
