Não é de hoje que nas rodas de discussão femininas, a crença no príncipe encantado tenha se tornado motivo de piada. Num mundo cada vez mais cínico, a idéia de mulheres sendo salvas por rapazes esbeltos em seus cavalos se tornou tão distante quanto a de homens longe dos salões de beleza. Provas disso são constantes na programação televisiva, em séries como Sex and the City , Queer Eye for a Straight Guy, entre outros. No entanto, a idéia de cinderela moderna ainda serve de inspiração para uma quantidade significativa de roteiros de cinema, em busca das poucas adolescentes sonhadoras que nosso século ainda não maculou. Quem não acredita, é só dar uma olhada no trabalho de Larry Clark (Kids, Ken Park) para constatar que nossa juventude se perdeu há muito tempo e que os argumentos de Um Príncipe em Minha Vida ou O Diário da Princesa são por demais inocentes para encantar seu público. O filme mostra o incipiente romance entre Paige (Julia Stiles), uma estudante de bioquímica nos Estados Unidos, e o príncipe Eduardo da Dinamarca. O fato é que o rapaz viaja incógnito para a América, depois de ver uma propaganda veiculando hábitos pouco pudicos das colegiais do país (como mostrar os seios nus em público em troca de uma caneca de cerveja). Excitado com as aventuras amorosas e cansado da vida maçante do palácio, Eddie embarca em busca de diversão.Logo na chegada, Paige e Eddie se conhecem, e apesar de se odiarem a princípio, o destino se encarrega de obrigá-los a conviver nos mais diferentes recintos. Como é de se esperar, a produção logo dá sinais que ambos encontraram seu verdadeiro amor (ou alma gêmea, para os mais sensíveis), seja com diálogos óbvios, seja pela desastrosa trilha sonora. Quando tudo parecia perfeito, com direito a citações de sonetos de Shakespeare, Paige acidentalmente descobre que o jovem estudante de intercâmbio (como ele se identificou a todos, para a incredulidade dos que estão acompanhando a história) é na verdade um príncipe. Cabe então saber se a heroína irá perdoar Eduardo por sua mentira e a Eddie provar que seu amor é verdadeiro. Não há como negar toda a fórmula de comédia romântica concentrada e potencializada neste argumento. Assim, não há surpresas, originalidade, e tudo que se vê durante duas horas é muito familiar. Muito provavelmente porque, tanto a diretora (Martha Coolidge), como os roteiristas (Jack Amiel, Michael Begler e Katherine Fugate), recém saíram da TV, e apenas tenham trabalhado em programas obscuros e sem visibilidade. A deficiente direção somada ao pobre roteiro não dá chances para os atores mostrarem a que vieram. Julia Stiles, a queridinha da MTV americana, não apenas parece entediada em toda a história, como está muito velha para o papel de aluna de colegial. O mesmo pode ser dito de Luke Mably - que, para piorar, ainda tem ar de canastrão. A surpresa mesmo fica com a ponta de Miranda Richardson, como a rainha Rosalind, da Dinamarca. Assim, Um Príncipe em Minha Vida parece um daqueles filmes que deveriam ter ido direto para home vídeo.
