26/08/2026
Comédia

Connie e Carla - As Rainhas da Noite

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Em Hollywood um raio não costuma cair duas vezes no mesmo lugar. Prova disso é a atriz e roteirista Nia Vardalos, aquela que ficou famosa com a comédia Casamento Grego, em 2002, um minúsculo filme independente que faturou astronômicos 241 milhões de dólares só nos Estados Unidos, além de um indicação ao Oscar na categoria roteiro original.

Seria bom demais se o segundo filme dela, como roteirista, faturasse ao menos metade disso. Tendo isso em mente, executivos de diversos estúdios começaram a negociar com Nia para a obtenção dos direitos de sua próxima produção. Quem ganhou a briga foi a Universal - que geralmente não investe nada em filmes pequenos (deixa isso para a Focus, o segmento do estúdio que lida com filmes independentes e de arte). Mas a essa altura do campeonato, os executivos da Universal devem estar se perguntando como Casamento Grego deu tão certo e Connie e Carla - As Rainhas da Noite não, acumulando míseros 8 milhões de dólares na bilheteria.

Mas não existe muita diferença entre o filme novo e o anterior - ao menos em se tratando daquela boa vontade e bom-mocismo do tamanho do mundo, que agradaram a milhões e fizeram os mais cínicos torcer o nariz. Uma espécie de versão feminina de Quanto Mais Quente Melhor - ou uma versão drag queen de Mudança de Hábito, para os mais jovens -,o filme nunca vai além de uma peça de escola primária mal interpretada, que até faz rir, mas nunca consegue voar mais alto. Até porque nem é uma grande produção.

Connie (Nia Vardalos) e Carla (Toni Collete) são amigas desde criança e sonham em ser famosas. Quando adultas trabalham no bar de um aeroporto como garçonetes e fazendo seus showzinhos. Vão levando a vida, até o dia em que vêem um amigo ser morto por gângsters russos. Daí, só lhes resta cair na estrada rumo a Los Angeles.

Depois de várias tentativas em empregos mais variados, conseguem se estabelecer em um bar pequeno e decadente. O único problema é que as duas devem se fingir de travestis. Mas isso até é bom, porque na cola delas está o capanga do gângster russo. Este, por sua vez, está do outro lado do país, visitando todos os shows da Broadway em busca das fugitivas - uma tarefa que não o desagrada muito.

Cuidando para não estragar o disfarce, Connie e Carla ficam amigas de todas as drags do pedaço. Sempre se reúnem para ensaiar shows, se divertir e trocar conselhos. Inevitavelmente, Connie vai se apaixonar, e não poderá se declarar porque seu amado é hetero - e não sabe que ela é uma mulher vestida de travesti. A vítima é Jeff (David Duchovny), irmão de Robert (Stephen Spinella), uma drag queen. Após anos de separação os dois tentam reatar os laços familiares e Jeff, superar sua homofobia.

O melhor de Connie e Carla são os números que a dupla interpreta na boate gay, que acaba se tornando a sensação da cidade. São recriações de musicais famosos, como Cabaré, Jesus Cristo Superstar e Evita. Porém, é preciso ter uma certa cultura de musicais para entender a piada. Os números são bem coreografados, as duas atrizes cantam e dançam, mas no geral fica a impressão de que elas tiveram vontade de fazer um musical e não conseguiram.

A carreira de Michael Lembeck (Meu Papai é Noel 2) como diretor de sitcoms lhe deu segurança na hora de desenvolver as situações cômicas, os diálogos e até os números musicais. No entanto, em certos momentos, quando há meia dúzia de atores em cena (todos histéricos e montados de drags), falando ao mesmo tempo, Lembeck perde um pouco controle, e o resultado é caótico. Ele também se deixa levar no pior clima piegas na história dos dois irmãos. Mas isso já vem desde o roteiro, de Vardalos.

Nenhuma das duas atrizes parece realmente convincente como uma mulher se fingindo de drag queen. Mesmo assim, a australiana Toni Collette dá um show como a personagem totalmente desprovida de qualquer vaidade e com mais nuances do que a Connie de Nia Vardalos. Collette não precisa fazer muito esforço para mostrar que é mais talentosa, mais bonita e tem mais timing para comédia.
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