21/07/2026
Drama

Colateral

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Vista do alto e sempre à noite, a cidade de Los Angeles até parece ter algum encanto. O diretor Michael Mann não economizou na produção e, desde o início, Colateral promete ser um filme de ação diferente, com destaque para uma fotografia muito bem cuidada, aproveitando os recursos da tecnologia digital para as imagens noturnas.

No início, os personagens são apresentados em ações paralelas e aparentemente isoladas. Jamie Foxx é Max, um motorista de táxi que compensa o stress da profissão trabalhando apenas à noite e olhando para uma fotografia de uma ilha paradisíaca, no meio do oceano, colocada no quebra-sol do carro.

Uma das primeiras passageiras de Max é a promotora Annie (Jada Pinkett Smith, mulher do ator Will Smith, aqui esbanjando um certo charme). Mesmo divergindo sobre o melhor caminho para ela chegar ao trabalho, acabam simpatizando um com o outro. Ela desembarca em seu destino, mas é claro que voltará a fazer parte da história. O próximo passageiro de Max é Vincent (Tom Cruise), visto antes ao desembarcar no aeroporto. Vincent oferece ao motorista uma quantia elevada para que ele o acompanhe durante um trabalho noturno. Como a soma é bem maior do que poderia ganhar naquela noite, Max acaba aceitando. Mas ele não pode imaginar que Vincent é um assassino profissional e pretende utilizar Max para levá-lo aos locais onde cometerá os crimes.

Max só fica sabendo das reais intenções de Vincent quando o corpo da primeira vítima despenca de um apartamento sobre o teto de seu carro. E, sob a mira de um vevólver, Max é obrigado a servir de guia para o criminoso. Ele se sente também responsável pelas próximas mortes, mas não há como voltar atrás.

O argumento tem até alguma qualidade, mas vários fatores conspiram para que o filme fique apenas no campo nas boas intenções. A começar pela escolha de Tom Cruise que não consegue dar ao vilão Vincent uma alma convincente. Se como galã Cruise já tem deficiências, como bandido suas limitações ficam ainda mais evidentes. Ele tenta passar a imagem de um homem frio, que filosofa sobre sua profissão, ao mesmo tempo que nutre alguma simpatia pelo motorista. Mas são muitas nuances para um ator monocórdico.

As preocupações existencias do motorista e seu passageiro assassino não conseguem um mínimo de credibilidade nos diálogos escritos para a dupla. E o filme se arrasta nessa corrida maluca de táxi rumo a um final que já é facilmente presumido nas cenas iniciais. Uma das cenas que se destacada em meio a tanta obviedade é a do encontro de Vincent e Max com um trompetista de jazz num clube noturno, onde falam com admiração sobre Miles Davis e travam um duelo sobre quem conhece mais a vida e obra do gênio do cool. Claro que é um duelo perigoso para o velho músico.

Não deixa de ser divertida a associação de Vincent com um conhecido pintor do século XIX. Quem acompanhar o filme atentamente vai perceber a brincadeira perto do final.Mas só isso é muito pouco para prender de forma inteligente a atenção do espectador.

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