26/08/2026
Drama

Queridinha

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Como umas das maiores surpresas do cinema francês em 2000, a diretora principiante Anne Villacèque deixou perplexos público e crítica ao apresentar sua primeira obra, Queridinha. Afinal, com um tema extremamente banal, a diretora conseguiu não apenas fortes interpretações, mas um passeio delicado nos sonhos femininos pueris, no melhor estilo do cinema francês.

Para poucos, o ritmo lento da produção exige um olhar dedicado do espectador, que não encontrará qualquer obviedade numa trama envolvente e cristalina. O cotidiano simplório, assim, ganha nova vitalidade a partir do enquadramento de Anne Villacèque, guiando o espectador para um subúrbio parisiense e seus personagens, a princípio sem qualquer brilho.

Queridinha conta a história de Sibylle, uma mulher de 30 anos que ainda mora com seus pais e mantém ilusões românticas, graças às novelas amorosas que lê compulsivamente. Os pais, que só querem sua felicidade, parecem impotentes frente à melancolia profunda que parece tomar conta de sua filha, que possui problemas de auto-estima e sociabilidade.

De fato, não há nenhum elo social que ligue Sibylle ao mundo exterior. Tudo o que é apresentado é sua solidão e suas fantasias ocultas baseadas na subliteratura a que se apega. Isso muda ao encontrar o misterioso Victor durante o trajeto habitual do trabalho, e vê a linha entre a ficção e realidade se romper. Victor é o herói de seus romances e ela fará de tudo para que isso se concretize.

Como não trabalha ou mesmo tem um lugar para morar, Victor cede aos pedidos de Sibylle e passa a morar com ela e seus pais. Atitudes ambíguas, tanto do rapaz, quanto dos próprios pais de Sibylle tornam-se uma constante a partir da mudança, e a banal vida dessa família começará a se dissolver até uma conclusão cruel e emocionante.

A trama, retesada ao limite, dá sinais de estar sempre a ponto de se romper. Seus personagens, andando no limite de suas emoções, andam apartados de uma realidade objetiva, voltados para um mundo interior onde tudo parece mais belo. Como primeiro trabalho, só há o que se parabenizar em Anne Villacèque. Mas é sempre válido o aviso: um cinema para poucos.
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