26/08/2026
Comédia

Menina dos Olhos

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Os lançamentos do diretor Kevin Smith são esperados com inconteste ansiedade pelos fãs de seu trabalho. Embora sejam comédias humildes em produção e visualmente simplistas, o diretor cativou o público com diálogos impertinentes em roteiros hilários, compensando, assim, qualquer falha estilística.

Filmes como Procurando Amy, O Balconista, Dogma e O império do besteirol contra-ataca fazem parte de um universo narrativo persistente e bem estruturado, baseados em experiências do próprio diretor, em especial sua adolescência no subúrbio de Nova Jersey. E de fato, o que agrada aqui é justamente seu humor de rua, muitas vezes infames, e claramente juvenil.

No entanto, quando se noticiou que a nova produção seria o primeiro filme "sério" de Smith, a ansiedade se transformou em suspeita. Afinal, sem serem propriamente seqüenciais, seus filmes trazem histórias e personagens recorrentes. A prática, que começou como uma brincadeira privada, criou uma liga mestra de suas obras, consolidando determinados personagens ao trabalho do cineasta. Dificilmente, conseguiria se desvincular deles, que se tornaram quase uma maldição.

E o tal filme sério chega agora às telas brasileiras, estrelado pelo ator coqueluchedo diretor, Ben Affleck, que tem amargado fracassos e sérias críticas nos últimos anos. Indiferente a isso, Smith chama pela quinta vez o ator para protagonizar seu trabalho, que aqui interpreta Ollie Trinke. Relações públicas de famosos da música e do cinema americano, o personagem vive em Nova York feliz com sua mulher Gertrude (Jennifer Lopes), grávida, em Nova York.

No entanto, quando sua esposa morre durante o parto, Ollie se vê numa difícil situação. Pai solteiro e completamente desqualificado para o papel, acaba ainda desempregado e sem dinheiro. É socorrido por seu pai, que vive na periferia de Nova Jersey, o que não é qualquer surpresa. O tempo passa e Ollie ainda sonha em voltar para Nova York, mas a menina não quer e ele ainda acaba tendo um affair por Maya (Liv Tayler). A conseqüente escolha entre profissão e vida familiar coloca o rapaz em xeque, levando tudo a um desfecho previsível e sem sabor.

Se esta história soa como um argumento barato de novela televisiva é porque assim o é. Toda a hilariante infâmia e a fina ironia de Smith se concentra apenas em alguns diálogos da história, que passa longe de qualquer originalidade. Quem ainda leva a sério um suspense do pai que deve decidir se vai a uma peça teatral da filha ou numa entrevista de emprego? Falhas como essa seriam bastantesruins em qualquer filme, mas quando anunciou seriedade, Smith atirou no próprio pé, mostrando que deveria ficar na comédia juvenil.

O diretor se esquiva dizendo que se trata de uma homenagem ao próprio pai, com uns toques de auto-biografia, já que Smith acaba de ser pai. Mas isso não minimiza os graves problemas da produção. Mesmo os atores estão mal colocados. O casal Affleck e Lopez, não funciona, mesmo lembrando que foi real, tal como Liv Tyler, tímida em sua personagem, sem brilho ou carisma. Assim, não resta muito o que se aproveitar de Menina nos Olhos, gênero que, aliás, Smith sempre parodiou.
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