Comédia romântica é o gênero ideal para provocar suspiros e sentimentalismo. Podemos torcer pelo herói, chorar pela mocinha e abominar o vilão. Qualquer pieguice fica camuflada no escurinho do cinema. Basta secar as lágrimas na hora dos créditos, e, claro, antes que as luzes se acendam. Sem problemas, cinema é entretenimento, sobretudo em se tratando de finais felizes, em que o casal protagonista fica junto.Se a fórmula é repetitiva e previsível, o que faz um filme deste estilo ser bom ou ruim é a maneira como a trama se desenrola, ou seja, como os "pombinhos" vão enfrentar os mal-entendidos e as artimanhas do destino e como eles vão vencer essas dificuldades até o "happy end". As boas comédias românticas, no entanto, transcendem a fórmula e surpreendem o espectador com encontros e desencontros. Já as ruins parecem contar sempre a mesma história, do mesmo jeito. Só muda o elenco - e nem sempre!Avaliando essa falta de originalidade e o excesso de clichês, o diretor José Roberto Torero se inspirou para rodar seu primeiro longa-metragem. Como fazer um filme de Amor é literalmente o que o título diz, um filme que mostra como construir e filmar uma comédia romântica - no caso, as ruins. A história vai sendo criada por um narrador oculto (voz de Paulo José), que escolhe desde os personagens que vão protagonizar o romance aos vilões e as confusões. Parodiando os romances baratos, qualificados muitas vezes como "água com açúcar", o filme faz rir do lugar-comum. É assim que a mocinha Laura (Denise Fraga) se apaixona pelo herói Alan (Cássio Gabus Mendes). Como ingrediente sem o qual não se faz trama, está a malvada Lilith, interpretada por Marisa Orth. Lilith é apaixonada por Alan e precisa impedir que ele fique com Laura. Semelhante às bruxas, Lilith tem um fiel guarda-costas, Adolf (André Abujanra). Aliados eles planejam e realizam armadilhas para evitar o namoro dos protagonistas. Vale ressaltar que o nome desses personagens do "mal" alude tão diretamente à anti-heroína dos textos apócrifos e ao nazista Adolf Hitler.Vencedor do prêmio de Melhor Roteiro nos Festivais de Cinema de Recife e Belém, Como fazer um filme de Amor é uma fita de baixo orçamento - cerca de um milhão de reais - e as filmagens levaram apenas um mês para serem concluídas. O projeto inicial era de um curta-metragem, e acabou crescendo já nos sets de filmagens. Fazendo portanto, certas considerações, a fita não decepciona. Há momentos bastante engraçados como o encontro sexual dos amantes. Segundo o narrador para seguir a fórmula, a cena deve ser falada em inglês. A bela canção "Eu sei que vou te amar", de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, é a música tema, e acaba contribuindo para o clima de chacota. Todavia, a visão simplista e maniqueísta em que se constrói o enredo, não escapa ao básico. Se a fórmula empregada é a metalinguagem, os deslizes aí se encontram. Ao fazer um filme propositadamente banal, a película por vezes se limita à superfície, sem propor uma reflexão realmente mais aguda sobre o tema.
