Um dos trabalhos mais originais dessa temporada, Nove Rainhas é detentor de roteiro extremamente inteligente, que ganha forma através de uma filmagem consistente. Conhecidos recursos como a câmera lenta, parecem dar um acabamento final às cenas mais importantes. Inúmeras reviravoltas e surpresas se unem na trama bem elaborada, que cultiva algo do estilo Guy Ritchie (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch - Porcos e Diamantes).
Uma dupla de trapaceiros se conhece acidentalmente, quando um deles quase vai preso ao tentar trocar uma nota falsa. O experiênte Marcos (Ricardo Darín) convida o novato Juan (Gastón Pauls) a se tornar seu sócio. O jovem, em princípio, reluta mas a perspectiva de algum dinheiro o faz aceitar a proposta por apenas 24 horas. Após o sucesso de alguns golpes, um antigo conhecido de Marcos oferece um negócio único: vender uma réplica quase perfeita de selos conhecidos como "nove rainhas" a um colecionador espanhol que está de passagem por Buenos Aires.
O roteiro, que ganhou um concurso de novos talentos e possibilitou a Bielinsky levar a fita às telas, explora uma maneira diferente de ganhar a vida, onde a competição determina a sobrevivência. Em uma realidade permeada por trapaças, a verdade vai ficando cada vez mais distante e o sucesso depende apenas da credulidade das pessoas.
Essa divertida e movimentada aventura, que culmina num final surpreendente, mergulha em uma selva de ladrões e farsantes, onde ninguém está livre de pequenas ou grandes parcelas de corrupção. O filme faz parte de uma nova safra que invade o cinema latino e, junto com o mexicano Amores Perros, de Alejandro González, mostra a qualidade de diretores iniciantes.
