A exemplo de Alta Fidelidade, de Nick Hornby, adaptado às telas por Stephen Frears, O Diário de Bridget Jones mantém o ótimo humor inglês do best-seller homônimo de Helen Fielding, e ainda tem a vantagem de condensar a história de tal modo a reduzir o excesso causado pela contagem frenética de quilos, calorias, unidades alcoólicas e cigarros.
Na virada do ano, Bridget Jones (Renée Zellweger) decide tomar as rédeas de sua vida e escrever um diário, onde passa a anotar tudo, desde o número de cigarros fumados até as desventuras amorosas com o charmoso chefe Daniel Cleaver (Hugh Grant) e com o bem-sucedido advogado Mark Darcy (Colin Firth).
Conservadas algumas das sacadas inteligentes e engraçadas do romance, o filme, no entanto, é forçado a suprimir alguns deliciosos golpes dessa guerra dos sexos. O livro dá muito mais consistência a personagens como os excêntricos amigos de Bridget, um homossexual, uma feminista e uma coitada que idolatra o namorado sacana. Uma briga hollywoodiana entre os dois pretendentes da garota, no qual a dupla estraçalha vidraças, e um final excessivamente romântico, que envolve calcinhas no frio da capital inglesa, são alguns dos artifícios cinematográficos utilizados para apimentar a trama.
A escolha da texana Renée Zellweger para o papel principal foi bastante criticada, mas a atriz encarou aulas de sotaque inglês além de uma curiosa dieta para viver a personagem. Ela abandonou os exercício diários e se entregou a pãezinhos com pasta de amendoim, hamburgueres, pizzas e muito sorvete. O esforço foi recompensado e a atriz conseguiu criar uma mulher comum, capaz de pronunciar os comentários mais impróprios e desastrados, que dão o tom irônico e espirituoso à fita. Merece destaque também o galã Hugh Grant, que abandonou os papéis de mocinho para encarnar um canalha conquistador.
Sem grandes pretensões, O Diário de Bridget Jones é uma comédia simpática salpicada com piadas saborosas que tem como pano de fundo o contraste da mulher moderna que tenta encarar um modo de vida feminista mas que não consegue se desvencilhar de antigos resquícios de uma sociedade machista.
