21/07/2026
Comédia

Galera do Mal

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Da forma como o diretor e roteirista estreante em longas Brian Dannelly começa o seu filme Galera do Mal tem-se a impressão de que ele colocou fogo no pavio de um barril de pólvora enorme, que quando explodir vai fazer muito estrago. Infelizmente, esse não é bem o caso. Quando o fogo consome a pólvora finalmente explode, percebe-se que o barril era grande, mas o explosivo era pouco. Para amenizar mais ainda, o diretor tem um kit de primeiros socorros à mão, passa mercúrio e assopra o machucado, só para ter certeza de que ninguém se feriu. Ainda assim, a explosão causa alguns bem-vindos estragos.

Galera do Mal é uma espécie de primo liberal e mais bem-comportado do excelente Meninas Malvadas. Os dois filmes têm como o seu centro a vida no ensino médio norte-americano, a chamada high school - só que dessa vez um dos diferenciais é que esta é uma escola cristã e a religião tem um papel central.

Hilary Faye (Mandy Moore, de Um Amor Para Recordar, aqui satirizando sua própria imagem de boa moça) é a menina mais perfeita da escola. Uma adoradora inveterada de Jesus, ela e sua banda tocam canções em reverência ao Salvador em shows. Como em todo bom filme adolescente, ela é a uma esnobe que se disfarça atrás de uma aparência caridosa. Uma de suas amigas -e heroína do filme - é Mary (Jena Malone, de Cold Mountain), que acha ter recebido uma mensagem de Jesus no fundo da piscina quando descobre que seu namorado, Dean, é gay.

O conselho que ela pensa ter recebido é que deve perder a sua virgindade com ele, e assim 'resgatá-lo' para o time das 'pessoas normais'. É isso que ela faz, mas aparentemente Jesus não cumpre sua parte do "acordo". No dia seguinte, Mary descobre que os pais do rapaz o mandaram para uma espécie de centro cristão de reabilitação. Enquanto Hilary se preocupa em organizar grupos de oração para salvar a alma de Dean, Mary faz um teste de gravidez caseiro e, segundos depois, está olhando catatonicamente para uma fina linha azul acusando positivo.

Afastando-se de suas amigas devotas de Jesus, Mary encontra apoio em Cassandra (Eva Amurri), uma judia rebelde, e em Roland (Macaulay Culkin), o irmão paralítico de Hilary. Além disso, a menina começa a se apaixonar por Patrick (Patrick Fugit), o filho do pastor e diretor da escola, que faz parte do esquadrão de skatistas cristãos.

Claro que o grande clímax do filme, quando todas as tramas se resolvem, acontece na noite do baile de formatura. Até então, Mary vai trilhar um tortuoso caminho para provar que agiu de boa fé e que Hilary não é tão boa cristã quanto parece.

Os personagens de Galera do Mal parecem estereótipos usados por uma boa causa, por isso funcionam. Como é o caso de Hilary, a cristã nada modesta que ostenta a sua riqueza material - e que, em seus shows, lembra muito uma certa bispa da televisão brasileira -, ou o diretor-pastor, que dá cambalhotas e dança em nome do Senhor, tal qual um certo padre paulista que, aliás, também tem conquistado o cinema.

Apesar da solução simplista para temas tão complexos, Galera do Mal ainda é um verdadeiro milagre. Ainda assim, consegue divertir e levantar alguma polêmica. O que pode incomodar aqueles que esperam um filme mais ácido é que no final os valores cristãos são finalmente aceitos, afirmando que é possível ser adolescente e seguir uma religião, sem se tornar um loser, ou seja, a pessoa mais impopular da escola.
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