20/07/2026
Comédia

Dupla Confusão

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Dupla Confusão, de Francis Veber, é praticamente uma 'versão francesa' de filmes à la Debbie & Lóide. Mas, por conta de suas origens gálicas, essa comédia é mais sutil e tem um humor um pouco mais irônico e refinado do que o produto hollywoodiano. Não será nenhuma surpresa se o longa ganhar uma refilmagem norte-americana - o que, aliás, aconteceu com o filme anterior do cineasta, O Closet, cujo remake já está planejado.

Esta comédia parte de uma velha máxima de juntar dois tipos estranhos, que não têm nada em comum e, por um motivo qualquer, são obrigados a ficar juntos boa parte do tempo, mesmo que um deles não queira. Quentin (Gerard Depardieu) é um ladrão pé-de-chinelo que nunca consegue fazer o serviço direito. Numa das primeiras cenas, ele vai assaltar um banco. Quando descobre que este não tem dinheiro, aceita a sugestão do funcionário para ir até outra agência. Claro que a polícia o prende antes de concluir seu plano. O que Quentin tem de burro, ele tem também de forte e falador.

Ruby (Jean Reno) prefere agir silenciosamente. Seu tipo estóico e caladão, por si só, já coloca medo nas pessoas. Além disso, é muito mais sofisticado e inteligente do que Quentin. Antes de ser preso, Ruby consegue esconder 20 milhões de euros roubados de seu rival Vogel (Jean-Pierre Malo). Na cadeia, ele literalmente não abre a boca. O que não agrada o detetive Vernet (Richard Berry), que quer chegar a Vogel usando Ruby.

Colocar os dois na mesma cela parece ser a estratégia ideal - afinal, Quentin já enlouqueceu outros dois companheiros, e parece ser a única pessoa capaz de fazer Ruby dizer uma palavra. Não é bem isso que acontece. Quentin se afeiçoa a Ruby - apesar da resistência deste. E não quer deixá-lo por nada.

Boa parte da graça do filme vem dos encontros e desencontros da dupla central. Como não há muito o que inventar em termos de roteiro, o diretor espertamente deixa a tarefa de fazer graça nas mãos de Reno e Depardieu. E os dois respondem à altura. Se Quentin diverte por sua boca grande e ingenuidade, é Ruby que cresce na tela com seu jeito de quem não está ligando muito para nada e que não suporta o companheiro.

Os atores, por sua vez, parecem ter se divertido tanto quanto a platéia. Depardieu abusa das caretas, enquanto Reno mantém a mesma cara séria o tempo todo - o que o torna ainda mais divertido. Essa química entre eles faz de Dupla Confusão uma deliciosa sessão da tarde!
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