Uma das certezas que se pode ter em relação aos super-heróis da Marvel é que eles possuem um forte apelo nas telas de cinema. Incentivados pelo sucesso de Homem Aranha, X-Men e Demolidor, os produtores em Hollywood não escondem a ansiedade quase infantil de abrir o baú de velhos e novos personagens da companhia, na esperança de multiplicar seus ganhos com filmes para todas as idades. Afinal, apesar de notoriamente serem voltados para o público adolescente, quarentões saudosistas engordam as filas do cinema. Agora, chegou a vez de Elektra Natchios ganhar seu próprio filme. O que todo mundo sabia depois de ver Demolidor - O Homem Sem Medo, em que aparece, tal como no gibi original de 1981 (Daredevil # 168), lutando contra o Rei do Crime, ao lado do herói. Visto o sucesso das roupas justas da atriz Jennifer Garner com a garotada - e, de novo, com os quarentões - nada mais natural do que receber seu primeiro longa, aproveitando-se da sensualidade latente da personagem. Dirigido por Rob Bowman, Elektra chega às telas explorando justamente a beleza da atriz. Longe de se reduzir a isso, o diretor também investe na humanização da personagem, uma das únicas a não ter super-poderes nas histórias em quadrinhos. Apesar de ser singular em vários aspectos, Elektra é vítima de suas fraquezas, muitas vezes criadas por seus próprios conflitos, a eterna luta entre o bem e o mal em sua mente. Como uma assassina de aluguel, contrariando os preceitos ensinados por seu mestre, suas ações acabam colocando-a à margem da lei. Isso, até conhecer a jovem Abby (Kirsten Prout) e seu pai Mark (Goran Visnjic). A princípio, recebe a incumbência de matá-los, mas acaba tornando-se amiga da família. No entanto, o pai e a garota estão sendo perseguidos pela perigosa organização O Tentáculo e Elektra passa a protegê-los, sem saber que eles escondem um importante segredo. Para os fãs de sua história, desenvolvida durante a década de 80 pelo mago Frank Miller, o filme apresenta algumas incorreções, que dão margem a uma série de dúvidas. Em primeiro lugar, não se sabe muito bem se é uma continuação do Demolidor - O Homem Sem Medo. Elektra simplesmente é revivida por seu mestre e amigo Stick (Terence Stamp) já nas primeiras cenas e, mais tarde, é expulsa da ordem dos Virtuosos por motivos pouco explorados.Quando deve optar por um caminho (bem/mal), a decisão é acompanhada por um excesso de flashbacks, que mais confundem do que propriamente explicam. Sua infância, marcada pela morte da mãe, é muito diferente do que se apresenta nos gibis, numa clara liberdade criativa dos roteiristas. Provavelmente, para aproximar as histórias de vida da heroína e da jovem Abby, que também perdeu a mãe e se mostra uma exímia lutadora.As mudanças realizadas pelos roteiristas, sem qualquer dúvida, extraem muito da personalidade forte e sombria de Elektra. Nem por isso, o filme deixa de agradar. Uma das surpresas é uma elegante e fina linha de humor, encontrada, principalmente no choque entre o gélido comportamento da heroína e a afável personalidade de seus protegidos. Sem dúvida, um bom trabalho dos atores. Outro ponto favorável está nas cenas de ação, muito bem coreografadas e sem a histeria que se viu em Demolidor - O Homem Sem Medo. Garner, que já faz sucesso em lutas na série televisiva Alias, mostra naturalidade em cena, mesmo nos mais improváveis golpes, que desafiam qualquer lógica gravitacional. Bela, sensual e absolutamente perigosa, a atriz personifica Elektra com verossímil destreza.
