19/07/2026
Comédia

Entrando numa fria maior ainda

post-ex_7
O que até era bom - o filme original, Entrando numa Fria (1999) - ficou muito, muito pior, nesta reciclagem preguiçosa de idéias muito batidas. O pior é que o público americano engoliu, consagrando o filme. Sinal de que logo pode vir um terceiro filme, em que a imaginação vai faltar de vez.

Tudo somado, é uma pena. Afinal, ter no elenco astros do quilate de um Robert De Niro (numa atuação tão displicente que é como se não estivesse lá), Dustin Hoffman e Barbra Streisand (que não aparece num filme desde O Espelho Tem Duas Faces, de 1996) é um tesouro que o roteiro cretino de John Hamburg e James Herzfeld e a direção (?) de Jay Roach não aproveitam.

Em comédias, a grande catástrofe é que, na falta de imaginação, sobra escatologia. O trocadilho infame começa, como se recorda do primeiro filme, desde o nome da família do protagonista Greg (Ben Stiller), Focker no original, Fornika, em português. Para quem encarar a piada, lá está ele de novo, o enfermeiro Greg Fornika, ainda noivo da loirinha aguada Pam Byrnes (Teri Polo), desta vez pronto para apresentar os pais da noiva aos seus próprios pais.

Neste quesito dos sogros, o contraste é total. Do lado dos Byrnes, tudo é careta, certinho e rígido, começando pelo chefe da família, o ex-agente da CIA Jack (De Niro) e sua passiva mulher, Dina (Blythe Danner, outra atriz que merece coisa melhor). Do lado dos Fockers, que moram em Miami, é tudo ao contrário. Bernie (Dustin Hoffman) e Roz (Barbra Streisand) são um casal que viveu com tudo as filosofias alternativas dos anos 60 e 70 e ficaram por lá. Ele é um advogado que largou tudo para criar o filho e agora pratica capoeira no jardim. Ela é uma terapeuta sexual para a terceira idade. Os dois vivem no maior e mais desinibido "love", para choque do casal Byrne.

O encontro entre as famílias é uma sucessão de desastres, que deveriam ser engraçados. Não são. Quem arranca uma ou outra risada é o bebê Jack (interpretado pelos gêmeos Spencer e Bradley Pickren), pela graça natural de sua pouca idade. Os adultos são quase sempre ridículos.

A obsessão de espionagem do ex-agente da CIA Jack - que chega a instalar minicâmeras pela casa dos Focker e usa soro da verdade no futuro genro -, e o episódio do guarda na estrada bem que poderiam servir como sátira à América truculenta da era Bush. Mas, tal como a própria América nestes dias, o filme não tem graça, leveza, ou jogo de cintura. O tempo dos brucutus contaminou as comédias. A única coisa honesta, afinal, é o título - que se refere ao público, especialmente o que for mais exigente.

post