Lolita (Marilou Berry) é uma jovem aspirante cantora, filha de um famoso escritor. Por estar acima do peso, sempre é criticada - mas não se importa. Ela acabará sendo alvo do interesse de sua professora de canto Sylvie (Agnès Jaoui), que é mulher de um escritor mal-sucedido. Ganhador do prêmio de melhor roteiro em Cannes e no European Film Awards.
- Por Alysson Oliveira
- 31/03/2005
- Tempo de leitura 2 minutos
O culto à imagem e às celebridades é um fenômeno que se espalhou em escala praticamente mundial. Este filme, ganhador do prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes/2004, mostra que mesmo na França – um país considerado tão intelectual – a imagem também pesa e muito. Mais do que a visão que o indivíduo tem de si, o que conta é como os outros o vêem.
Quem está sofrendo muito com isso, é a jovem Lolita (a estreante Marilou Berry),uma garota que está acima de seu peso, e por isso vive cobrada por amigos e, principalmente, pela madrasta, para que emagreça. Se de início ela não se importa muito com isso, com o tempo ela começa a ficar incomodada – mais com as críticas do que com a sua imagem propriamente dita.
Ela é filha do escritor Étienne Cassard (Jean-Pierre Bacri, co-roteirista do filme), um sujeito famoso e egoísta que não dá a menor atenção a ninguém – principalmente a sua filha. É por meio de Lolita que ele conhecerá Pierre Millet (Laurent Grévill) o mal-sucedido escritor, marido de Sylvie (a diretora e co-roteirista Agnès Jaoui), a professora de canto da garota.
Com esse pequeno grupo central de personagens, os roteiristas criam uma dinâmica explorando diversos temas da sociedade moderna. Não apenas a questão da imagem e das celebridades, mas também as amizades (sinceras e por interesse), traições e ambição.
O roteiro de Agnès e Bacri é a sexta colaboração da dupla, que fez, entre outros, O Gosto dos Outros e Amores Parisienses. Além de ganhar o prêmio em Cannes, o texto também foi premiado no European Film Awards e não por acaso. Questão de Imagem é um daqueles filmes simples que, ao mesmo tempo, é extremamente sofisticado. A forma como todos os assuntos são discutidos é muito sutil e eficiente.
A França de Agnès-Bacri é o país do refinamento cultural, onde os mais cultos são os mais esnobes. Esse ambiente, aliás, é muito bem conhecido da dupla, que faz um retrato crítico – mas ao mesmo tempo carinhoso desse círculo. Quantos filmes atualmente conseguem ser fazer uma crítica e homenagem ao mesmo tempo, ainda mais com finesse? Muito poucos – se considerados os produtos hollywoodianos, essa estatística cai ainda mais. Por isso, Questão de Imagem é um presente para quem gosta de um cinema de bom gosto.
Agnès acertou não apenas no roteiro, mas também na direção e elenco. Marilou, filha da atriz e diretora Josiane Balasko, se destaca no filme – não apenas por ter um bom personagem, mas também por seu talento e competência para desenvolvê-lo. Curiosamente, Agnès deixa de lado a vaidade e, nas telas, se fotografa menos bonita do que realmente é. Talvez ela pense que tudo é uma questão de imagem, ou que ao se apresentar tão bela como é, ninguém vai dar o devido valor ao seu talento como realizadora – o que seria bem injusto.
